O Banco Central foi bem-sucedido na calibração do comunicado do Copom, divulgado após a reunião desta quarta-feira, 29 de maio. A decisão foi reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, segundo avaliação de Alex Lima, da DA Economics, que aponta cautela como traço dominante do momento no Brasil e no mundo.
Para o especialista, o comunicado trouxe uma alteração relevante em relação à ocasião anterior: mencionar a extensão do conflito geopolítico como variável de risco. Ele lembra que, quando o conflito começou, parecia algo passageiro, mas já se estende por nove semanas, influenciando modelos de bancos centrais.
Lima destaca que o ambiente externo está mais restritivo desde o início do ano. Nos EUA havia expectativa de cortes de juros, mas o cenário mudou para uma posição de maior aperto, com queda na probabilidade de cortes e previsão de pausas ou altas em outras regiões. O petróleo Brent operava próximo de 119 dólares na data da decisão.
Contexto internacional e impactos no Brasil
O economista também comenta a postura do Fed, que manteve a taxa inalterada, e os quatro dissensos registrados na ata da reunião, incluindo divergências sobre o tom do comunicado. A leitura sobre a ata deve ficar mais clara com a divulgação dos fundamentos internos do Copom.
No radar doméstico, a inflação de serviços continua a preocupar o BC, ligada à massa salarial e ao nível de emprego. Limite de desemprego baixo tende a manter pressão sobre serviços, segundo Lima. A taxa de desemprego do Brasil ficou em 5,8%, próxima de patamar histórico, reforçando a resiliência da atividade.
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