A entrada em vigor do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia facilita a exportação com tarifas reduzidas ou zeradas. O acordo vale a partir de 1º de maio, ampliando o comércio entre Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e os 27 países da UE.
Paraguai se tornou atrativo para empresas brasileiras, pela Lei de Maquila e pela estrutura de custos competitiva. Empresas instaladas no país desfrutam de alíquotas reduzidas, isenções de insumos e condições de mão de obra mais baratas, o que eleva a competitividade para exportar à UE.
Entre os benefícios, constam impostos sobre exportação em 1% sobre o valor agregado e uma soma de tributos relativamente baixa, mesmo com a tributação corporativa modesta. O regime é visto como vantagem estratégica para quem busca produção com foco tanto no Mercosul quanto no mercado europeu.
O impacto já é sentido em setores que migraram parte da produção para o Paraguai, como têxtil, calçados, iluminação e manufatura leve. Empresas brasileiras instaladas no país passam a ter acesso a tarifas zero na UE para seus produtos, ampliando possibilidades de escalabilidade internacional.
A Lupo, grupo têxtil de Araraquara, investiu em Ciudad del Este para reduzir custos e manter o atendimento ao Mercosul. A planta brasileira opera com foco no mercado regional, sem planejamento imediato de exportação para a UE, segundo o diretor da companhia.
Outras estrelas da instalação paraguaia incluem Buddemeyer (linhas têxteis), Koumei (iluminação), Fiasul (textil gaúcha) e Efisa (embalagens). Essas empresas apresentaram planos de ampliar operações no Paraguai para ganhar escala e competitividade global.
Be8, fabricante brasileira de biocombustíveis avançados, já atua no Paraguai com a Omega Green, visando produção de diesel verde e SAF para a Europa. A planta em Villeta já prepara a oferta de HVO e combustíveis para aviação, com foco em demanda europeia.
A Be8 apresentou na Feira de Hannover um novo biocombustível, com testes que mostraram redução de CO2 de cerca de 99% em comparação ao diesel fóssil, chamando a atenção do setor europeu de transporte pesado.
Entretanto, nem todas as empresas brasileiras que migraram para o Paraguai planejam expansão imediata para a UE. Muitos, na prática, priorizam o Brasil e o Mercosul, mantendo a Europa como uma possibilidade de médio a longo prazo.
A Lupo, por exemplo, afirma que a unidade paraguaia foi pensada para reforçar o abastecimento ao Mercosul e ao Brasil, com exportações ainda representando parcela modesta do faturamento. A expansão para a UE depende de planejamento estratégico e demanda adicional.
Outras companhias também ponderam custos logísticos e competitividade frente a produtores asiáticos. Empresas de vassouras, brinquedos e utensílios avaliam se o custo-benefício da Maquila se sustenta diante de desafios logísticos e da presença de fabricantes com cadeia integrada na região.
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