O Copom reduziu hoje a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,75% ao ano para 14,50%. A decisão ocorreu ao fim da reunião de abril de 2026, com anúncio divulgado no começo da noite. O comitê justificou o movimento pela necessidade de calibrar a política monetária, diante de sinais de desaceleração econômica.
A decisão ocorre apesar do aumento recente de pressões inflacionárias após a guerra no Oriente Médio. O comunicado aponta que o período prolongado de juros em patamar contracionista propiciou transmissão da política para a atividade econômica, abrindo espaço para ajustes no ritmo e na extensão da calibração.
A leitura de analistas indica que pode haver novo corte de 0,25 ponto em junho e, ao menos, outras três reduções de igual magnitude até dezembro, com uma quarta revisão maior no último encontro do ano. A projeção é que a Selic encerre 2026 em 13%, em linha com a meta de inflação de 3%?
O que muda na prática
A sinalização de “extensão” na comunicação do Copom sugere que o ciclo de cortes pode ser mais lento ou mais longo do que o previsto anteriormente. A perspectiva de final de 2026 em 13% depende de como a inflação evoluir e da resposta futura da atividade econômica aos juros.
Essa leitura também traz a possibilidade de manter a Selic em patamar elevado ao longo do período, com pausas entre cortes, antes de alcançar a meta de inflação. Em cálculo de mercado, a trajetória provável depende do desempenho da inflação até o fim de 2027, especialmente no cenário de choques externos.
Perspectivas e cenários
Caso a Selic termine 2026 em 14%, a taxa real ficaria em torno de 8,5%, com inflação prevista de 5% para o ano. Se a taxa terminar em 13%, a taxa real fica próxima de 7,5%. Em qualquer cenário, o espaço de atuação permanece restrito, mantendo o país entre as economias com juros reais elevados.
O Copom ressaltou que a decisão não reflete convergência automática da inflação para a meta, mas a expectativa de que a atividade econômica esteja no caminho de frear. A continuidade do ciclo depende de dados influenciados pela conjuntura externa e pela evolução fiscal.
Entre na conversa da comunidade