A instalação de data centers no Brasil demanda expansão da infraestrutura de energia para atender uma demanda estimada de 25 GW até 2035, segundo a EPE. O debate ocorreu no fórum “Redes do Amanhã” em Brasília, promovido pela EXAME e PSR, que avaliou impactos na matriz energética. O estudo aponta que, com 90% de fontes renováveis, o país pode compensar parte das emissões associadas.
Especialistas ressaltaram que a capacidade de transmissão e a disponibilidade de energia renovável são diferenciais para suportar o crescimento. A ABDC aponta que o Brasil reduz a pegada de carbono por megawatt de data center em comparação com os EUA. A diretora técnica da PSR destacou o papel da renovabilidade na expansão da infraestrutura.
A EPE apresentou que data centers são vetores de carga relevante e exigem estudos de transmissão para a integração ao sistema. O painel de perspectivas regulatórias discutiu governança, investimentos em tecnologia e rapidez na execução de projetos como gargalos. A necessidade de um marco regulatório para datacenters continua em discussão.
Investimento e regime tributário. ORedata tramita no Congresso como parte do PL 278/2026, ainda sem aprovação no Senado. A Câmara aprovou em fevereiro, mas o tema enfrenta impasse político entre o Palácio do Planalto e o Senado. A aprovação depende de acordo entre as casas e do contexto relativo à IA.
A Secretaria de governo estima que investimentos em datacenters no Brasil cheguem a cerca de R$ 1 trilhão ao longo de uma década, segundo o MDIC, sem detalhar o consumo de energia. Analistas destacam que a modernização das redes é essencial para suportar a demanda.
São Paulo aparece como principal polo de infraestrutura para receber novos investimentos em transmissão e energia. A EPE já mapeou 9 GW potenciais no estado, com outros levantamentos em andamento para o Nordeste e o Sul. A conclusão aponta para necessidade de expansão de infraestrutura de transmissão.
Além da energia, há impactos para a cadeia de fornecimento. A Hitachi planeja ampliar a produção de componentes no interior paulista, com uma nova fábrica em Pindamonhangaba para atender a demanda de grandes players regionais. O investimento está ligado ao aumento da capacidade de transformação e armazenamento.
Especialistas ressaltam a importância de manter governança estável na distribuição de energia e na regulação de investimentos. O setor aposta em contratos estruturais que assegurem segurança regulatória para orientar decisões de longo prazo.
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