O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia entrou em vigor de forma provisória nesta sexta-feira, 1º de maio. A medida facilita tarifas menores e atrai investimentos entre Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e os 27 países da UE, abrangendo mais de 700 milhões de pessoas. A implementação é gradual, com regras ainda sujeitas a ajustes.
Para o Brasil, a mudança traz tarifa zerada para mais de 80% dos itens exportados para a UE já a partir desta fase inicial, segundo a CNI. A expectativa é reduzir custos de importação para consumidores e ampliar a oferta de produtos europeus no país, como vinhos, azeites e queijos.
Analistas apontam que setores do agronegócio brasileiro devem ganhar competitividade, com menos barreiras para exportação de agro e calçados aos europeus. Também há expectativa de maior entrada de máquinas, insumos e tecnologia importados, reduzindo custos de produção.
Contudo, as negociações enfrentaram impasse por salvaguardas protegendo produtores europeus, especialmente franceses, após o aval do Parlamento Europeu no fim de 2025. As salvaguardas definem condições para suspender temporariamente vantagens tariffárias.
O que muda na prática
O acordo prevê liberação gradual de tarifas, com prazos que podem chegar a 15 anos para alguns setores. Em termos de comércio bilateral, 91% dos bens importados pelo Brasil da UE e 95% dos bens europeus importados pelo Brasil passam a ter redução de tarifas.
Há impactos esperados no varejo: consumidores podem encontrar preços menores em itens importados como azeites, queijos e frutas de clima temperado. Alguns itens com cotas, como carne bovina, aves e açúcar, também entram com alíquotas reduzidas.
O efeito sobre o preço ao consumidor é indireto em parte, já que a redução de tarifas favorece menor custo de insumos e maquinário para a indústria brasileira, segundo o Ipea. O impacto direto tende a ocorrer ao longo dos próximos anos.
Ganhos e desafios para o Brasil
Especialistas estimam aumento gradual do PIB entre 2024 e 2040, com ganhos próximos a 0,46% ao longo do período. O estudo do Ipea aponta ainda alta de 1,49% nos investimentos e crescimento das importações de até US$ 12,8 bilhões em 2034.
As exportações brasileiras devem crescer de forma contínua, com ganhos estimados de até US$ 11,6 bilhões no conjunto do horizonte analisado. O efeito pode depender de custos de câmbio, condições sanitárias e regras de quebra de patentes ou cotas.
Observações sobre o acordo
O instrumento em vigor tem caráter provisório, com regras sujeitas a revisões. A continuidade dos benefícios dependerá da evolução de compromissos ambientais exigidos pela UE. A aplicação gradual ajuda empresas a se ajustarem aos novos fluxos comerciais.
A presidente da Comissão Europeia afirmou que as exportações entre os blocos devem crescer nos próximos anos, especialmente para a UE, com ganhos estimados para 2040. O acordo é visto como um passo estratégico em um cenário de polarização global.
Com informações de BBC News Brasil, Reuters e estudo do Ipea, baseados em divulgação de janeiro de 2026.
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