Herman Lundgren chegou ao Brasil em 1855, aos 20 anos, sem saber português. Imigrante sueco, criou o caminho do grupo que daria origem às Pernambucanas, inicialmente com atuação na pólvora e, depois, no setor têxtil. A rede cresceu associada à produção e à venda direta, reduzindo intermediários.
A virada ocorreu com a família Lundgren na condução de fábricas têxteis em Paulista, na Paraíba e em Rio Tinto (PB). Em 1908 foi inaugurada a primeira loja própria, chamada Lojas Paulista, marcando o embrião das Casas Pernambucanas. A estratégia era integrar produção e varejo para reduzir preços.
Até meados do século XX, a rede expandiu para o Nordeste e chegou ao Sudeste, consolidando-se como maior varejista do Brasil nas décadas de 1940 e 1950, com mais de 400 lojas. O modelo incluía manuais de gestão, publicidade agressiva e foco no atendimento ao cliente.
A partir da década de 1920, vilas operárias foram criadas para abrigar trabalhadores das fábricas, especialmente em Rio Tinto. O controle sobre moradia, trabalho e tempo livre era parte da estratégia industrial, que gerou tensões sociais e disputas trabalhistas ao longo dos anos.
Arthur Lundgren, que liderou a empresa por décadas, também atuou politicamente e enfrentou oposição de autoridades locais. Em Pernambuco e no Rio Tinto, a atuação da família ficou associada a uma fase de expansão agressiva, com forte presença regional.
Na atualidade, Anita Harley, neta de Herman, tornou-se figura de destaque do Grupo Pernambucanas, que inclui a rede varejista e a empresa de crédito Pefisa. Em 2016, Anita sofreu um AVC e desde então vive em um quarto de hospital em São Paulo, sem contato frequente com o público.
A produção atual mostra uma empresa com atuação financeira e varejo sob governança própria, com foco em transformação digital e redução de dívidas. Em 2024, a Pernambucanas ficou na 45ª posição entre as 300 maiores do varejo no Brasil, segundo RTT.
No cenário recente, a rede passou por mudanças gerenciais, com lideranças que não mantêm relação sanguínea com a família fundadora. Em 2025, a companhia divulgou planos de ampliar lojas e elevar o tíquete médio, além de lançar nova marca corporativa, o Grupo Pernambucanas.
A produção audiovisual da Globoplay abordou as disputas de curatela de Anita Harley como parte do enredo da série O Testamento. A obra foca o patrimônio estimado em quase 2 bilhões de reais e as controvérsias em torno da sucessão do grupo. A Pernambucanas reforça que sua governança é independente.
Entre na conversa da comunidade