A crise de vulnerabilidade que envolve o agronegócio brasileiro ganha atenção de especialistas diante de escassez de fertilizantes, juros altos e volatilidade de preços de commodities. O quadro é agravado pela conjuntura geopolítica, pela valorização do dólar e por interrupções logísticas que afetam o abastecimento. Analistas veem impactos na rentabilidade e no planejamento da safra.
Marcos Jank, professor do Insper e coordenador do Agro Global, afirma que a queda da moeda americana pesa sobre quem exporta e aumenta o risco de desabastecimento de insumos para a próxima safra. Segundo ele, produtores estão retraídos e há incerteza de chegada de fertilizantes ao Brasil a tempo.
Eduardo Monteiro, country manager da Mosaic Fertilizantes, reforça a leitura de mayor vulnerabilidade no setor. Em participação no São Paulo Innovation Week, ele afirmou que este é o pior momento para fertilizantes em décadas, citando ruptura de fluxos logísticos nunca observada desde crises anteriores.
Novo ambiente de insumos e crédito
Monteiro explica que o setor opera sem garantias de fornecimento, com o Irã sendo destaque na produção mundial de fertilizantes que contêm enxofre. A agência de fertilizantes depende de regiões com instabilidade, o que amplia preocupações sobre disponibilidade além do preço.
A agenda pública também está destacada. Em entrevista publicada no Estadão, o ministro da agricultura, André de Paula, sinaliza foco em crédito, seguro rural e abertura de mercados. A meta é facilitar juros de um dígito para a próxima safra.
Oportunidades e caminhos futuros
Especialistas apontam que, diante do desafio, surgem oportunidades de inovação. A demanda por agricultura de precisão ganha força, com produtores buscando análises de solo para orientar a aplicação de fertilizantes com mais eficiência.
Marcelo Batistela, VP da BASF Soluções para Agricultura no Brasil, destaca a resiliência do sistema agrícola nacional. Acredita que o Brasil pode atravessar o ciclo de tensão e retornar a um quadro mais estável em breve, ampliando o papel do país na agricultura global.
Jank também vislumbra possibilidades além do cultivo tradicional. O professor aponta potencial para expansão de commodities em bioenergia, minerais críticos e energia, conforme o Brasil se firma como fornecedor estratégico em um cenário de maior segurança energética mundial.
Colaboração: Jayanne Rodrigues
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