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Investidores buscam maior retorno de títulos após recuperações extrajudiciais

Investidores exigem retorno maior em debêntures após recuperações extrajudiciais; spreads sobem e descontos no mercado secundário se ampliam

Fila de consumidores em unidade do supermercado Pão de Açúcar em São Paulo
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O mercado de crédito privado vive momento de maior aversão ao risco. Investidores passaram a exigir retornos mais elevados de debêntures e outros títulos, após recuperações extrajudiciais de Raízen, GPA e Grupo Toky, aliados a juros elevados e tensões internacionais. O movimento pressiona ganhos dos papéis no mercado secundário.

Segundo levantamento da AMW, os spreads de debêntures de empresas com rating AAA subiram 7,5% neste ano. Empresas AA têm alta de 17,4% e as classificadas como A registram crescimento de até 59%. O cenário reflete maior prêmio exigido pelos investidores.

Cenário de juros e inflação

A alta de spreads também acompanha o ambiente de juros elevados, com a Selic em 14,5% ao ano e o IPCA em torno de 4,39% no acumulado do ano, o que favorece títulos públicos atrelados à inflação em detrimento de parte do crédito privado.

O conflito entre Irã e tensões no estreito de Hormuz elevam o preço do petróleo, contribuindo para o temor de inflação global. Nesse contexto, títulos atrelados ao IPCA continuam oferecendo juros reais acima de 7%, segundo analistas.

Empresas envolvidas

Raízen e GPA solicitaram recuperações extrajudiciais para renegociar dívidas, enquanto o Grupo Toky ingressou com pedido de recuperação judicial, dono das marcas Tok&Stok e Mobly. Gestores apontam que esse conjunto aumenta a percepção de risco entre credores.

Observadores destacam que a Raízen foi o principal caso, levando a uma perda de qualidade de crédito de ativos considerados de alta segurança. Investidores de renda fixa, inclusive pessoas físicas, passam a reagir com maior cautela.

Desempenho de ativos específicos

Aegea e Hapvida registraram altas de prêmios no mercado secundário em abril de 2026. A Aegea revisou perdas de crédito e investimentos, anunciando baixa contábil de R$ 5 bilhões. A Hapvida passou por mudanças no comando e recebeu cobranças de investidores.

Dados da Anbima mostram quedas de preço em debêntures com vencimentos mais longos. Uma debênture da Aegea para 2035 caiu para cerca de R$ 891, ante face de R$ 1.055, com deságio próximo de 15%. Desconto foi revisado ao redor de 14% mais recentemente.

Outros ativos e deságios

Entre CRAs, a Braskem mostrou maior desvalorização após anúncio de mudanças societárias, com deságio que chegou a 64% no fim de março. Um CRA da Raízen com vencimento em 2029 já havia registrado desconto de até 59% após a recuperação extrajudicial anunciada.

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