O Desenrola Fies, criado para renegociar dívidas do Fies, já assinou mais de 96 mil contratos em menos de um mês. A medida aponta para mudanças no formato de cobrança e aumenta a pressão sobre o governo para ajustar o modelo.
Entidades do setor privado de ensino superior veem o alto volume de inadimplentes a cada rodada como sinal de necessidade de reestruturação. Defendem um modelo de pagamento mais adequado à realidade dos estudantes.
Segundo dados do FNDE, o grupo-alvo envolve cerca de 1 milhão de estudantes com contrato até 2017 e inadimplência superior a 90 dias. A proposta elimina juros e multas, além de oferecer desconto de 12% para pagamento à vista.
Há possibilidade de parcelamento em até 150 meses. Para débitos com mais de 360 dias vencidos, o desconto chega a 77% para quitação total; cadastros no CadÚnico podem alcançar 99%.
Mais de 91% dos contratos renegociados pelo Desenrola Fies receberam, no mínimo, 77% de desconto. A maioria dos beneficiados não integra o CadÚnico, com renda per capita acima de meio salário mínimo.
MEC informa que já foram renegociados R$ 5,1 bilhões desde 13 de maio, com perdão de R$ 4 bilhões. Estudantes devem pagar cerca de R$ 1,1 bilhão remanescente.
Para o Semesp, os números indicam a importância do Desenrola para reduzir endividamento e também para levantar a necessidade de repensar o Fies como um todo. A entidade reforça a necessidade de mudanças estruturais.
A Abmes aponta que o modelo atual não condiz com a realidade de pagamento dos estudantes. Sugere vincular cobrança ao Imposto de Renda após a conclusão, permitindo cobrança proporcional à renda anual.
Observa-se ainda que parte dos adimplentes cobra condições melhores para quitar as parcelas. Grupos estudantis promovem mobilização online por maior desconto ou bônus para quitação.
O Ministério da Educação afirma que o Desenrola atende diferentes perfis e busca regularizar situações diversas, fortalecendo a sustentabilidade do Fies. Não houve anúncio de mudanças imediatas no modelo de cobrança.
Em nota, o MEC sinaliza que estudos estão em andamento para aprimorar a gestão do fundo e reduzir inadimplência, sem confirmar medidas específicas. O objetivo é facilitar a recuperação de crédito sem onerar estudantes.
Sobre o plano de estímulos, o ministro da Fazenda mencionou avaliação de prêmios para adimplentes, visando ampliar incentivos. O Palácio do Planalto acompanha o tema para possíveis novas ações.
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