O banco Lazard endereçou na sexta-feira uma carta à presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, propondo um fee de US$ 25 milhões pela assessoria financeira na renegociação da dívida externa. O valor é similar ao cobrado pela instituição para o ajuste da dívida da Grécia há quase 15 anos e fica bem aquém dos US$ 150 milhões que estariam sendo pagos à Centerview para liderar o reescalonamento, que pode chegar a US$ 200 bilhões.
A Venezuela, segundo nota do Ministério das Comunicações, confirma a continuidade com a Centerview como consultora principal. O governo diz ter utilizado critérios de experiência, conhecimento técnico, qualidade e adaptação ao contexto venezuelano na escolha, e afirma que o processo de seleção já foi concluído.
Desde a prisão de Nicolás Maduro pelos EUA no início de 2024, o governo de transição venezuelano tenta reabrir o país a investimentos e retornar ao mercado de capitais. A dívida foi decretada em calote em 2017, após sanções dos EUA, e a renegociação envolve títulos e empréstimos estimados entre US$ 150 bilhões e US$ 200 bilhões.
Proposta da Lazard
Segundo a Bloomberg, a Lazard atua para expor uma alternativa ao atual processo, liderado pela Centerview. Pierre Cailleteau, principal consultor de assuntos soberanos da Lazard, afirma que cada dólar público deve ser aplicado com eficiência.
Conexões e contexto
A Centerview já mantém reuniões com autoridades de Caracas desde fevereiro. Entre os nomes citados, destaca-se que Charles Albinet e Hamouda Chekir são veteranos em reestruturações de dívida soberana, com histórico de atuação em Argentina, República do Congo e Grécia.
O ex- head de M&A da Lazard, Philippe Pigasse, está envolvido na iniciativa. Pigasse trabalha com a Centerview e mantém relações com familiares de autoridades venezuelanas, além de ter contatos com o governo dos EUA por meio de alianças antigas.
Claver-Carone, antigo presidente do BID e hoje enviado especial de Trump para a região, expressou apoio à decisão de contratar a Centerview, segundo relatos de veículos norte-americanos. Executivos da Centerview continuam reunidos com autoridades de Caracas desde fevereiro.
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