O Ibovespa fechou a semana em queda, pressionado pela crise de confiança no Copom. O índice recuou 1,6%, para 168.334 pontos, diante de um feriado nos EUA e de piora na percepção sobre a condução da política monetária brasileira.
O Copom cortou a Selic de 14,50% para 14,25% ao ano, mas o comunicado esticou o prazo para cumprir a meta, citando inflação do primeiro trimestre de 2028 como referência. O mercado viu esse movimento como atraso na convergência.
A queda de confiança no BC ganhou corpo com o cenário eleitoral e estímulos fiscais, elevando a percepção de risco da inflação. Consequentemente, os contratos futuros de juros subiram, especialmente nos vencimentos mais longos.
O movimento doméstico ficou ainda mais evidente com o câmbio. O dólar spot avançou 2% na semana, fechando a sexta em R$ 5,16. O ganho semanal foi majoritariamente de reflexo local, sem impulso externo decisivo.
A semana teve ressalvas externas. O Irã e os EUA chegaram a anunciar cessar-fogo, com reabertura de Ormuz, mas a trégua permaneceu instável. O petróleo Brent recuou ao redor de US$ 80 o barril, em meio a volatilidade geopolítica.
O cenário internacional incluiu o Federal Reserve, que reduziu projeções de juros e anunciou menos sinais futuros. O mercado avaliou o ajuste como fator de incerteza, influenciando, principalmente, derivativos e Treasuries.
Perspectivas para a próxima semana
- A ata do Copom, marcada para terça, deve esclarecer o racional por trás do alongamento do prazo de metas. falhas na explicação podem manter a curva de juros elevada.
- A fragilidade do acordo com o Irã e a volatilidade do petróleo mantêm o risco inflacionário no radar. A Selic pode permanecer sob pressão de ajustes futuros.
- Sem fluxo externo expressivo, o Ibovespa pode permanecer preso aos níveis atuais, com o dólar mantendo volatilidade diante de fatores domésticos e externos.
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