Brasil tem juros mais altos porque a economia ainda é indexada à inflação, afirma Henrique Meirelles, ex-presidente do BC e ex-ministro da Fazenda. Em entrevista ao Estadão/Broadcast, ele comenta o aniversário de 30 anos do Copom e a dificuldade de reduzir a Selic. A ideia é que não há poder do BC sobre certas variáveis que mantêm a alta.
Meirelles diz que a taxa sobe pela indexação da economia e pelo crédito direcionado, fatores que, segundo ele, permanecem mesmo com pressões de política monetária. O ex-presidente sustenta que o Plano Real não resolveu esse problema estrutural e que o BC não tem como alterá-lo de forma rápida.
Durante a crise financeira internacional, afirma, houve dificuldade de acesso ao crédito externo, o que escancarou turbulências no sistema financeiro. Ele relembra ter recebido aplausos de banqueiros de outros países em Basileia, após ações do BC para estabilizar o mercado.
O público braisileiro sente o impacto disso na prática: a Selic serve de referência para preços e salários, e os mecanismos de crédito não chegam com a mesma eficácia a empresas e famílias. Mesmo com altas, o custo de crédito pode nem refletir integralmente a taxa básica em todas as operações.
Meirelles cita episódios da gestão do Copom, destacando a independência dos diretores na hora de decidir, sem pressões do mercado. Ele afirma que, na véspera das reuniões, orientava que não houvesse comunicação entre diretores sobre os juros para evitar influências indevidas.
Em ritmo de balanço de 30 anos do Copom, o ex-presidente também destaca o papel da crise de 2008 como marco, quando o Brasil conseguiu evitar o contágio financeiro global. Segundo ele, a resposta envolveu reservas internacionais e coordenação com bancos centrais.
Autonomia do BC e PEC
Meirelles defende a Proposta de Emenda à Constituição que confere autonomia financeira ao BC, mantendo prestação de contas. Para ele, a independência financeira, aliada à transparência, reforça o papel do Copom na condução da política monetária.
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