O presidente da CBIC, Renato Correia, sustenta que o fim da escala 6×1 não resolve problemas de produtividade no Brasil. A proposta tramita no Congresso e ganha relevância com a queda do Brasil no ranking global de competitividade, conforme estudo da IMD World Competitiveness Center em parceria com a Fundação Dom Cabral.
Correia afirma que a medida tende a elevar custos de produção e horas extras, sem trazer ganhos reais de eficiência. Ele compara a produtividade brasileira, estimada em 20% da americana, e aponta risco de desvantagem competitiva caso o ritmo de mudanças não seja adequado.
A proposta prevê redução de jornada em 60 dias com novo ganho após um ano. Para o líder da construção, esse compasso é incompatível com a capacidade do setor de crescer em produtividade, elevando preços de consumo e pressionando a inflação.
Desafios adicionais
No setor de construção, boa parte da remuneração é atrelada à produção por tarefas. A redução de horas pode reduzir os ganhos dos trabalhadores e exigir compensação por meio de horas extras para manter a produção.
Correia ressalta que a mão de obra disponível é limitada: o segmento emprega pouco mais de 3 milhões de trabalhadores com carteira assinada. A implementação imediata exigiria cerca de 288 mil trabalhadores adicionais, ou 144 mil em cenário de redução parcial de duas horas.
Proposta de transição
Ele defende uma transição gradual de quatro anos, com redução de uma hora por ano, para que ganhos de produtividade ocorram via investimentos em maquinário e equipamentos, sem repassar custos aos preços ao consumidor.
O presidente da CBIC também cita burocracia como gargalo relevante, com aprovações de projetos, licenciamentos e ligações de energia e saneamento respondendo por cerca de 12% do custo dos imóveis.
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