O Banco Digimais, apoiado pelo empresário Edir Macedo, enfrentou uma ação judicial ligada a suposto calote de quase R$ 500 milhões, movida pela Yards Capital. A disputa envolve aportes feitos ao fundo EXP 1, gerido pela Yards, e o uso de títulos emitidos por Fictor, Reag e Banco Master como lastro. A notificação ocorreu no início deste ano.
Segundo a ação, houve forte desvalorização dos ativos na carteira do fundo, na qual o Digimais detém 80% e a Yards, 20%. O valor de mercado dos papéis caiu após investigações sobre supostas fraudes envolvendo o Banco Master, a Reag e a Fictor, investigados pelo Banco Central.
Diante do cenário, a Yards notificou o Digimais para recomprar a carteira, estimada em R$ 462,2 milhões. O montante principal teria origem em títulos do Banco Master e da Reag, somando R$ 316,6 milhões, com os papéis da Fictor avaliados em R$ 145,6 milhões.
Contexto financeiro e investigações
A Reag foi alvo de operações da Polícia Federal, incluindo a Carbono Oculto, que investiga movimentações financeiras suspeitas para o crime organizado. Em decorrência das suspeitas, a Reag foi liquidada pelo Banco Central no final de 2023. A Fictor, por sua vez, anunciou a compra do Banco Master em 2025 por R$ 3 bilhões; no dia seguinte, o Master foi liquidado e seus principais executivos detidos.
Em janeiro, a Fictor protocolou recuperação judicial, citando queda de liquidez provocada por resgates de investidores diante das notícias sobre o Master. O Digimais já enfrentava dificuldades financeiras há anos, com alta inadimplência após a pandemia, exigindo aportes constantes para evitar insolvência.
O Digimais passou por reformas regulatórias em 2025, com supervisão do Banco Central e possibilidades de venda sob reestruturação. O investidor Mauricio Quadrado, ex-sócio do Banco Master, chegou a anunciar acordo de compra com Macedo, mas o negócio não avançou.
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