O IMD World Competitiveness Center, em parceria com a Fundação Dom Cabral, divulgou o Ranking Mundial de Competitividade 2026. O Brasil caiu sete posições, ocupando a 65ª colocação entre 70 economias. O levantamento aponta que o país fica à frente apenas de seis nações, incluindo México, Nigéria e Venezuela.
Segundo o estudo, a queda reflete fraturas nacionais que pesam sobre produtividade, crescimento econômico, renda per capita e padrões de vida. A competitividade mede a capacidade de competir no mercado externo, considerando tanto eficiência interna quanto condições para investir e produzir.
A avaliação enfatiza que competir no exterior depende das bases institucionais, econômicas e estruturais do país. O chamado custo Brasil, que inclui infraestrutura, carga tributária, juros, câmbio, burocracia, sistema judiciário e estabilidade regulatória, influencia fortemente a produção.
Fatores que pesam
O relatório aponta queda de desempenho em quatro pilares: economia, governança, eficiência empresarial e infraestrutura. Dentre eles, a menor performance fica com a eficiência de negócios, que recuou 11 posições, e com a economia, que caiu seis posições. Outros indicadores aparecem próximos do fim do ranking entre os 70 países.
O custo de capital, endividamento corporativo, educação, qualificação da força de trabalho e habilidades financeiras e linguísticas também aparecem mal posicionados. Esses componentes ajudam a explicar a posição brasileira no ranking global.
Em relação ao setor agrícola, o USDA aponta que o crescimento da produção até 2034 depende, principalmente, de infraestrutura logística robusta. Gargalos em transporte, armazenagem e escoamento podem elevar custos do agronegócio.
Mais de 60% da malha rodoviária tem deficiência operacional, e a capacidade de armazenagem cobre apenas 60% a 70% da produção, com déficit estimado em 134 milhões de toneladas. Investimentos estimados chegam a cerca de R$ 140 bilhões para reduzir essa lacuna.
Ferrovias e hidrovias são citadas como opções para reduzir custos, mas enfrentam entraves regulatórios, ambientais e de execução. A expansão da produção agrícola ocorreu, segundo o relatório, em ritmo maior que a melhoria da infraestrutura logística.
A conclusão geral é de que a infraestrutura é o gargalo mais significativo para a competitividade futura do Brasil no setor agroindustrial. Países que lideram o ranking conseguiram avançar mais nesses aspectos, o que reforça a necessidade de políticas públicas voltadas a eficiência produtiva.
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