O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugeriu ampliar o Pix para todos os países do Mercosul, em discurso na cúpula do bloco no Paraguai. A ideia busca fortalecer a integração regional por meio de uma infraestrutura de pagamentos comum, mantendo a soberania cambial de cada país.
Especialistas ouvidos pelo portal destacam que a proposta é tecnicamente ambiciosa e enfrenta desafios regulatórios e políticos. A interoperabilidade entre sistemas distintos surge como o principal entrave para a viabilidade prática da iniciativa.
De acordo com Renan Silva, professor de economia do Ibmec Brasília, a proposta seria uma integração de infraestrutura, não de moeda compartilhada. O maior desafio seria fazer os bancos centrais adotarem padrões técnicos semelhantes.
Silva destaca que o Pix no Mercosul preservaria Real, Peso e Guarani, evitando a adoção de uma moeda comum. Porém, o passo exigiria investimentos em infraestrutura tecnológica compatível entre as partes.
Para o economista Vanderson Aquino, os ganhos visíveis ficariam com turismo, comércio na fronteira, pequenas empresas e transferências entre pessoas, por reduzir custos e prazos. A padronização global é crucial para o sucesso.
Aquino aponta que o projeto pode funcionar como piloto regional, alinhado a iniciativas globais como o Nexus. Sem interoperabilidade entre blocos, há risco de duplicidade e fragmentação.
Apesar de a viabilidade técnica existir, a implementação seria gradual. O processo envolve bancos centrais, legislação, câmbio, prevenção à lavagem de dinheiro e mudanças políticas.
Lula já havia sinalizado caminhos para facilitar relações financeiras com parceiros do Brasil. Em 2023, ele defendeu a criação de uma moeda comum entre os BRICS, destacando a necessidade de reduzir a dependência do dólar.
Segundo o presidente, bancos centrais poderiam explorar instrumentos compartilhados para financiar relações comerciais entre Brasil e China e entre outros membros dos BRICS. A proposta atual, porém, se conecta a uma infraestrutura de pagamentos transnacional.
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