O preço da luz na Espanha subiu em junho, impulsionado pelo calor, pela demanda estacional e pela menor presença de vento. O pool elétrico avançou 28,32% ante maio, para 69,59 euros por MWh, aponta o Grupo ASE. A alta ocorreu apesar da comparação anual indicar queda de 4,1% frente a junho de 2025.
Entre os fatores que elevaram o custo, destacam-se as ondas de calor que aumentaram o uso de ar condicionado e a necessidade de substituição da energia eólica por ciclos a gás natural. O gasóleo da formação energética manteve a pressão de preço diante da incerteza sobre o estreito de Ormuz.
Mesmo com o avanço, a maior participação de nuclear e renováveis reduziu a demanda por gás em 17,9% e ajudou a evitar aumentos mais expressivos. Países vizinhos viram preços ainda mais elevados: Alemanha chegou a 106,83 euros/MWh, Itália superou 132 euros/MWh, França ficou próximo de 66 euros/MWh.
A participação das renováveis ficou evidente: em junho, a energia fotovoltaica respondeu por 29,5% da geração, com a solar atingindo picos de até 45% da demanda em momentos de maior radiação. A nuclear operou em torno de 87% da capacidade, com geração em alta.
Perspectivas
Julho começou com redução de preços, favorecido pelo vento e pela produção eólica. Porém, especialistas alertam que, se o calor persistir e as cotações do gás permanecerem elevadas, os preços podem voltar a subir. Mercados de futuros recuperaram-se após anúncios sobre negociações entre Estados Unidos e Irã, alimentando a volatilidade.
No cenário doméstico, o consumidor espanhol enfrentou aumento na carga tributária da energia: o IVA da luz voltou de 10% para 21%. Entre 8,4 milhões de clientes com tarifa regulada (PVPC), 60% do custo reflete mercados de futuros desde janeiro; no mercado livre, o preço segue o contrato vigente.
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