Em seu primeiro relatório financeiro desde o IPO, a SpaceX anunciou nesta terça-feira (4) que a receita do segundo trimestre cresceu 92%, resultado atribuído à expansão da divisão de internet via satélite Starlink e à área de inteligência artificial. O faturamento do período somou US$ 7,8 bilhões, ante US$ 4,1 bilhões registrados um ano antes. […]
Em seu primeiro relatório financeiro desde o IPO, a SpaceX anunciou nesta terça-feira (4) que a receita do segundo trimestre cresceu 92%, resultado atribuído à expansão da divisão de internet via satélite Starlink e à área de inteligência artificial.
O faturamento do período somou US$ 7,8 bilhões, ante US$ 4,1 bilhões registrados um ano antes.
Desde a oferta pública inicial (IPO) recorde de junho, quando a companhia foi avaliada em aproximadamente US$ 1,75 trilhão, os papéis acumulam queda de 8%. A tendência pode se agravar a partir de quinta-feira, quando termina o prazo de lock-up pós-IPO, abrindo caminho para que investidores da fase inicial comecem a vender suas participações.
A base de conectividade formada pela Starlink e pelas demais operações da SpaceX segue como o principal pilar financeiro do grupo, dando suporte ao plano do presidente-executivo Elon Musk de erguer um negócio de inteligência artificial que vá além da simples locação de poder computacional, incluindo modelos avançados, softwares voltados a empresas e consumidores e, no futuro, data centers instalados no espaço.
A unidade de internet via satélite ampliou novamente sua carteira global de clientes, movida pela chegada de novos satélites e por um leque cada vez maior de serviços destinados a usuários domésticos, corporações, aviação, navegação e governos.
Essa expansão, porém, teve contrapartidas: a receita média por usuário recuou, reflexo da entrada da SpaceX em novos mercados internacionais e do lançamento de pacotes mais baratos.
O mercado tenta entender se a empresa conseguirá sustentar esse ritmo de crescimento e, ao mesmo tempo, elevar a rentabilidade da rede, num momento em que os investimentos para ampliar cobertura, capacidade e serviços móveis diretos a aparelhos são elevados.
A frente de inteligência artificial da SpaceX, que reúne a xAI, o chatbot Grok e a rede social X, além de uma operação de data centers em franca expansão, concentra a maior parte dos aportes da companhia.
Contratos de processamento computacional firmados com Anthropic, Google (controlada pela Alphabet) e Reflection AI já geram receita para essa unidade, ainda que parte desses valores recorrentes não tenha sido contabilizada.
As perdas operacionais dessa área têm crescido, e a companhia sinalizou que o segmento de IA ainda dependerá de investimentos constantes antes de alcançar lucratividade estável.
A Starship, foguete reutilizável de nova geração da empresa, segue fora de operação comercial, mas a expectativa é de que viabilize satélites Starlink com maior capacidade de transmissão e uma rede orbital de computação voltada à inteligência artificial.
Transformar a Starship em um foguete reutilizável e confiável é peça central da estratégia de longo prazo da SpaceX. Por isso, o mercado monitora de perto o avanço dos testes, o ritmo de lançamentos, os avanços na reutilização das estruturas e a capacidade do veículo para colocar satélites em órbita.
A companhia informou ainda, em comunicado à parte, ter fechado parceria com a Nvidia para empregar seus processadores nos satélites de computação orbital da linha Starmind AI1.
Já a área espacial, que abrange lançamentos comerciais, missões para governos e o próprio desenvolvimento da Starship, continua concentrando boa parte dos custos e das incertezas do negócio.
O Falcon, principal foguete da empresa e parcialmente reutilizável, manteve ritmo forte de lançamentos, mas a receita gerada tende a oscilar conforme a proporção entre missões da própria Starlink, contratos comerciais e demandas governamentais.
Nos últimos anos, a companhia tem dado prioridade a lançamentos voltados à sua própria constelação de satélites em detrimento de cargas de terceiros, mesmo enquanto mantém gastos elevados com o desenvolvimento da Starship.
Investidores também aguardavam posicionamento de Musk sobre uma eventual fusão entre SpaceX e Tesla, tema que ganhou força após reportagem do Wall Street Journal na semana anterior. Segundo o jornal, executivos da fabricante de veículos elétricos teriam recebido orientação para preparar uma separação das operações chinesas antes de um possível acordo entre as duas companhias.
Musk classificou a informação como falsa, mas em ocasiões anteriores não descartou a hipótese, mencionando a sobreposição crescente entre os negócios das duas empresas.
Entre na conversa da comunidade