A Justiça do Rio de Janeiro encerrou nesta segunda-feira (19) a recuperação judicial da Americanas e de três subsidiárias do grupo. Na decisão, o juiz Arthur Eduardo Magalhães Ferreira, da 4ª Vara Empresarial do Rio, considerou cumpridas todas as obrigações do plano de recuperação que venciam nos dois primeiros anos após sua homologação. No entanto, ainda cabe recurso contra a decisão.
A empresa informou a decisão ao mercado em fato relevante. Antes disso, os credores haviam aprovado o plano em assembleia, e, em março de 2026, a Americanas pediu o encerramento do processo. Tanto a administração judicial quanto o Ministério Público do Rio deram parecer favorável.
Além da Americanas, a decisão vale para as subsidiárias B2W Digital Lux, JSM Global e ST Importações. Com isso, as empresas do grupo deixam de usar o termo “em recuperação judicial” no nome.
A administração judicial terá 15 dias para apresentar um relatório sobre a execução do plano e 30 dias para prestar contas. Depois disso, será dispensada da função. Já a Americanas afirmou que o encerramento “representa um marco importante”.
Relembre o caso Americanas
Em janeiro de 2023, a Americanas informou ter identificado “inconsistências em lançamentos contábeis” nos balanços, estimadas inicialmente em cerca de R$ 20 bilhões. No mesmo dia, Sergio Rial deixou a presidência da empresa, que havia assumido apenas nove dias antes, no lugar de Miguel Gutierrez.
Depois de deixar o cargo, Rial afirmou em uma teleconferência que o valor não estava “fora do balanço”, mas que não havia sido “registrado de forma apropriada ao longo dos últimos anos”. Na sequências do fatos, os investidores correram para vender as ações, que caíram quase 80% em um único dia e continuaram nos pregões seguintes.
Dias depois do anúncio, a Americanas pediu recuperação judicial na Justiça do Rio. Na época, a dívida total considerada no plano passava de R$ 50 bilhões, dos quais cerca de R$ 42 bilhões estavam sujeitos à renegociação com os credores.
Logo depois, em março de 2023, a empresa apresentou a primeira versão do plano. Os credores, porém, só o aprovaram em 19 de dezembro daquele ano, e a Justiça o homologou em 26 de fevereiro de 2024. Entre outros pontos, o plano previu um aporte de R$ 12 bilhões dos acionistas de referência da Americanas: os bilionários Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Herrmann Telles.
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