O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá manter os subsídios aos combustíveis em 2027 caso os preços internacionais do petróleo continuem elevados, afirmou nesta sexta-feira (23) o ministro da Fazenda, Dario Durigan. A medida dependeria da continuidade da arrecadação adicional gerada pela alta da commodity, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio.
Em entrevista ao UOL, Durigan explicou que a valorização do petróleo aumenta a arrecadação do governo com royalties e tributos pagos por empresas do setor. Segundo ele, parte desses recursos pode ser utilizada para reduzir o impacto das oscilações internacionais sobre os preços dos combustíveis no Brasil.
“Se o Brent continuar num patamar muito elevado (no próximo ano) e a gente seguir percebendo que vai ter recurso adicional, é sim possível, e acho que essa deve ser a proposta do presidente, manter essa ajuda para suavizar, não é para controlar preço”, afirmou.
O ministro também não descartou a manutenção do imposto sobre a exportação de petróleo, criado após o início da guerra no Oriente Médio. Segundo ele, o tributo tem como principal objetivo desestimular a exportação do produto, enquanto o aumento da arrecadação seria um efeito secundário.
No início da tarde desta sexta-feira, o barril do petróleo Brent era negociado em torno de US$ 117.
Durigan ainda criticou a possibilidade de retorno à política de paridade de preços de importação, utilizada pela Petrobras até 2023, que considerava as cotações internacionais como referência para os reajustes dos combustíveis. Segundo o ministro, os preços poderiam disparar caso o modelo fosse retomado em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL).
O ministro também afirmou que a campanha de Lula poderá apresentar propostas de crédito ou perdão de dívidas para pequenos negócios afetados pelo fim da escala 6×1, aprovado pelo Congresso Nacional neste mês. Durigan ressaltou, porém, que essas medidas ainda fazem parte das propostas eleitorais de Lula, e não de iniciativas formalmente apresentadas pelo governo.
Lula e Flávio Bolsonaro disputam o segundo turno da eleição presidencial neste domingo (25).
*Com informações da Reuters
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