O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (5) que a reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com ministros, ex-ministros e economistas foi produtiva e teve mais convergências do que divergências. No entanto, segundo ele, não houve discussão sobre medidas econômicas específicas, que são aguardadas pelo mercado.
“A gente vai trabalhar com método, o ministro Bruno Moretti (do Planejamento e Orçamento) e eu, para que a gente afunile, enderece eventuais medidas… para a gente apresentar isso no retorno do presidente da viagem”, disse Durigan a jornalistas após o encontro. Lula irá à Turquia e depois à Filipinas para cumprir agendas.
O encontro começou por volta das 12h, no Palácio da Alvorada, e durou cerca de quatro horas. A reunião foi convocada por Lula após o Banco Central interromper, na quarta-feira (4), o ciclo de cortes da taxa básica de juros, mantendo a Selic em 13,75% ao ano.
Na saída, Durigan afirmou a jornalistas que a conversa foi marcada por uma visão convergente sobre a condução da economia e pelo compromisso com as contas públicas, servindo como um alinhamento sobre os caminhos que devem orientar as próximas decisões do governo. O ministro ressaltou que os participantes discutiram os pontos positivos e os desafios da economia brasileira, incluindo os impactos de fatores externos, como a guerra no Irã.
Durigan afirmou que a manutenção dos compromissos fiscais e os de campanha eleitoral devem orientar as decisões da equipe econômica. “Não nos parece haver fórmula mágica, e sim manutenção dos compromissos fiscais”, disse.
Ele acrescentou que o governo pretende continuar trabalhando para melhorar as contas públicas, com atenção à qualidade dos gastos e ao fortalecimento das regras fiscais existentes.
Entre as prioridades mencionadas pelo ministro estão a preservação de políticas sociais, a qualidade das despesas públicas e uma agenda de desenvolvimento voltada às necessidades da população. Na sequência, disse que o governo quer fazer “superávit” nos próximos anos.
No último fim de semana, ganhou força a informação de que Lula poderia se reunir com o economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real. A conversa teria como objetivo discutir uma proposta de redução dos juros para até 7,5% ao ano, seguida da criação de limites para a inflação e a taxa Selic. A possibilidade foi negada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que descartou o encontro e afirmou que o governo não pretende promover mudanças bruscas na política econômica.
Além de Durigan, o encontro teve entre os convidados o vice-presidente Geraldo Alckmin e os ministros do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, da Casa Civil, Miriam Belchior, e da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck.
A lista incluiu ainda o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o ex-presidente do banco de fomento Luciano Coutinho e os ex-ministros da Fazenda Fernando Haddad e Guido Mantega.
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