Jafar Panahi, cineasta iraniano dissidente, foi aclamado em seu retorno a Teerã após vencer a Palma de Ouro no Festival de Cannes por seu filme “Um Simples Acidente”. A vitória, ocorrida no último sábado, gerou uma crise diplomática entre Irã e França.
Panahi, de sessenta e quatro anos, chegou ao aeroporto internacional de Teerã na manhã de segunda-feira, dia 26 de maio, e foi recebido com aplausos e gritos de apoio. O filme, que critica o regime iraniano, retrata a tortura em prisões e a luta de cinco iranianos contra um torturador. “O mais importante agora é nosso país e a liberdade de nosso país,” declarou Panahi em seu discurso de aceitação.
A vitória de Panahi provocou reações intensas. O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, descreveu o prêmio como “um gesto de resistência contra a opressão do regime iraniano.” Em resposta, o Irã convocou o encarregado de negócios francês em Teerã para protestar contra os comentários, considerados “ofensivos e infundados.”
Durante sua chegada, Panahi foi saudado por apoiadores que entoaram o lema “Mulher, Vida, Liberdade,” símbolo dos protestos que eclodiram no Irã após a morte de Mahsa Amini em 2022. O cineasta, que não comparecia a Cannes há quinze anos devido a uma proibição de viagem, expressou sua determinação em continuar a filmar, mesmo sob repressão.
A recepção calorosa de Panahi contrasta com a cobertura escassa de sua vitória pela mídia estatal iraniana. O cineasta, que já enfrentou prisões por sua arte, reafirmou seu compromisso com a liberdade de expressão e a luta contra a opressão em seu país.
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