Pesquisas recentes revelaram que células T imunes estão presentes no órgão subfornical do cérebro, influenciando comportamentos alimentares. O estudo, publicado na revista *Nature*, destaca a importância dessas células na regulação de processos como a fome e a saciedade.
Tradicionalmente, acreditava-se que a maioria das células imunes adaptativas, como os linfócitos T, residia nas meninges, as membranas que protegem o cérebro. No entanto, a nova pesquisa, que durou cinco anos, identificou uma concentração significativa de células T no subfornical, uma estrutura central do cérebro. Os pesquisadores também encontraram essas células em amostras do órgão humano.
As células T do subfornical possuem características moleculares que permitem sua presença no tecido cerebral, diferenciando-se das que habitam as meninges. Elas produzem mais proteínas que facilitam sua permanência no cérebro e secretam mais citocinas, proteínas sinalizadoras do sistema imunológico, em condições normais.
Relação com a Dieta
Os cientistas observaram que a dieta e o microbioma influenciam a função dessas células. Em experimentos, camundongos alimentados com uma dieta rica em gordura apresentaram um aumento nas células T tanto em seus tecidos adiposos quanto no cérebro. Após um período de jejum, a quantidade de células T no cérebro aumentou, enquanto a quantidade nos depósitos de gordura diminuiu, indicando que a ingestão de alimentos afeta a mobilização dessas células.
A neuroimunologista Michal Schwartz, do Instituto Weizmann de Ciência, destacou a relevância dessa descoberta, afirmando que é surpreendente encontrar um sistema imunológico ativo em um órgão antes considerado isolado. Essa pesquisa abre novas perspectivas para entender como o sistema imunológico e o cérebro interagem, especialmente em relação ao comportamento alimentar.
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