Marcel Ophuls, cineasta conhecido por seu documentário “A Tristeza e a Piedade”, faleceu no último sábado, dia 24, aos 97 anos. Sua obra, que aborda a ocupação nazista na França, continua a influenciar a percepção sobre a colaboração de muitos franceses com os nazistas e a complexidade da memória histórica.
O filme, lançado em 1968, apresenta uma crônica da vida em Clermont-Ferrand durante a ocupação. Ophuls entrevistou diversas testemunhas, revelando uma gama de atitudes e comportamentos dos franceses, desde a colaboração até a resistência. O documentário expõe como a França adotou leis racistas e deportou 75 mil judeus para Auschwitz, com apenas 5% sobrevivendo.
Ophuls, que era judeu e fugiu da Alemanha para Paris antes da ocupação, buscou dar voz a indivíduos que viveram essa época, mostrando que a responsabilidade não é coletiva, mas individual. Ele afirmava que “não acredita na culpa coletiva, e sim na responsabilidade individual.” Essa abordagem desafiou narrativas oficiais, como a de Charles de Gaulle, que defendia que Vichy era uma fraude.
Após décadas de polêmicas, o documentário foi finalmente exibido na televisão em 1981. Em 1995, o presidente Jacques Chirac reconheceu o papel da França nas deportações e torturas durante a ocupação. A obra de Ophuls permanece relevante, lembrando que “aqueles que não se lembram do passado estão condenados a repeti-lo.”
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