André Griffo, artista que migrou da arquitetura para as artes visuais em 2010, apresenta sua nova exposição “Alto barroco” no Paço Imperial, no Centro do Rio de Janeiro. A mostra, que ficará em cartaz até 10 de agosto, reúne 52 obras, sendo 20 inéditas, e aborda a crítica à instrumentalização das religiões.
Griffo explora a relação entre poder e violência nas construções, refletindo sobre sua vivência e a história da arte. Em suas obras, o artista utiliza referências de lugares reais, como igrejas góticas e espaços abandonados, que retrata com precisão. Ele destaca que cada pintura é resultado de um processo cuidadoso, onde busca entender os locais pessoalmente, evitando a pesquisa apenas pela internet.
A exposição inclui obras como “O poder e a glória do pecado”, que apresenta anjos em disputa, e uma releitura do retrato do Papa Inocêncio X, de Diego Velázquez, onde a textura da tinta é um elemento central. Griffo, que produz cerca de 15 telas por ano, tem se destacado no cenário artístico, com obras em instituições renomadas, como o Denver Art Museum e o Museu de Arte do Rio.
Reflexões sobre Religião e Poder
As obras de Griffo não atacam a religiosidade, mas sim a forma como as instituições religiosas têm sido manipuladas ao longo da história. A curadora Juliana Gontijo ressalta que o artista conecta sua crítica a experiências pessoais, tendo sido criado em um ambiente religioso diversificado, onde conviveu com diferentes crenças.
Griffo, que se define como ateu, busca expor o lado perverso da manipulação institucional. Em sua obra “O vendedor de miniaturas”, ele retrata a comercialização de imagens de figuras religiosas e políticas, refletindo sobre a realidade atual e suas raízes históricas. A exposição “Alto barroco” se apresenta como um convite à reflexão sobre a complexa relação entre arte, religião e poder.
Entre na conversa da comunidade