Fui ao teatro no Centro do Rio de Janeiro no último domingo. Das seis saídas do metrô Cinelândia, quatro estão fechadas aos finais de semana, obrigando os frequentadores a buscarem alternativas. A Rua do Passeio, mais movimentada, contrasta com a Cinelândia, que parece um cenário apocalíptico, com teatros como Odeon e Municipal fechados e a praça deserta.
A Avenida Rio Branco, que já foi mão dupla, agora é um espaço ermo, especialmente após a proibição do trânsito de carros para a passagem do VLT, que permanece vazio. A pandemia agravou a situação, resultando em lojas fechadas durante o dia e moradores de rua à noite. Ao sair da peça, um grupo de senhoras demonstrou pânico ao deixar a área, formando uma manada em direção ao metrô, onde havia policiamento.
Desafios da Produção Cultural
Produzir teatro no Rio é um desafio. Os produtores enfrentam a falta de estrutura, patrocínio e segurança, o que torna a experiência ainda mais difícil tanto para quem produz quanto para quem assiste. Nos últimos anos, a prefeitura e o governo do Estado recuperaram importantes equipamentos culturais, mas a segurança ainda é uma preocupação central.
Os planos de revitalização do Centro, que incluem a promoção de moradia e comércio, só serão viáveis se houver uma percepção de vida de bairro. Teatros, cinemas e restaurantes são essenciais para isso, mas a realidade atual é de abandono. A expectativa de que lançamentos imobiliários tragam essa mudança é irrealista.
O Sucesso de “Para Minha Tia Nana”
Apesar dos desafios, o show “Para minha tia Nana”, de Alice Caymmi, tem atraído grandes públicos. Com casas lotadas, a cantora abriu uma segunda apresentação, marcada para o dia 4 de julho no Manouche. A programação cultural continua a ser um atrativo, mas a segurança do público precisa ser garantida para que o Centro do Rio recupere seu status como um dos principais polos culturais da cidade.
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