Integrantes de grupos ciganos no Brasil acusam a TV Globo de anticiganismo e racismo após a exibição de cenas da novela “Êta Mundo Melhor”. A trama, escrita por Walcyr Carrasco, gerou polêmica logo em seu primeiro capítulo, onde a personagem Carmem, interpretada por Cristiane Amorim, é vista negociando a venda de um bebê para a vilã Zulma, vivida por Heloísa Périssé.
Os grupos ciganos, em uma carta pública, expressaram sua indignação, afirmando que a cena reforça estereótipos negativos sobre a comunidade. O documento destaca que a representação da “cigana que rouba ou vende crianças” não reflete a realidade e perpetua um imaginário que causa dor e exclusão aos povos ciganos. Eles exigem uma retratação pública da emissora e a inclusão real da cultura cigana nas narrativas da mídia.
Além disso, os representantes das entidades ressaltam que o Estado deve intervir para evitar a propagação de imagens que marginalizam a comunidade. “Anticiganismo é racismo e a Globo precisa responder”, afirmam os membros dos grupos. A polêmica surge em um contexto em que a sociedade clama por maior respeito e representatividade cultural na televisão.
De acordo com dados do IBGE, entre 800 mil e um milhão de pessoas se identificam como ciganos no Brasil, com as maiores concentrações nos estados da Bahia, Minas Gerais e Goiás. A novela, que inicialmente gerou grande expectativa, agora enfrenta críticas severas que podem impactar sua recepção e a imagem da emissora.
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