O cenário das fundações privadas em Londres ganha novos contornos com a inauguração de duas iniciativas: Yan Du Projects (YDP) e Ibraaz. Ambas as fundações, que abrem suas portas este mês, têm como foco a diversidade cultural e o impacto social, refletindo uma tendência crescente na capital britânica.
O YDP, localizado em uma elegante townhouse georgiana em Bedford Square, é um espaço dedicado à arte asiática e à residência de artistas. Por sua vez, o Ibraaz, situado em Fitzrovia, é uma plataforma para o diálogo global, contando com biblioteca, livraria e café em seus quatro andares. Ambas as fundações são apoiadas por patronos asiáticos, destacando a influência crescente de investidores estrangeiros na cena cultural londrina.
Foco em Diversidade e Inclusão
A fundadora do Ibraaz, Lina Lazaar, enfatiza que o conceito de “maioria global” abrange uma ampla gama de culturas e experiências. O espaço busca promover hospitalidade e colaboração, com uma instalação do artista Ibrahim Mahama que convida todos a se reunirem. A biblioteca do Ibraaz, organizada pelo Otolith Group, é repleta de obras de pensadores radicais, refletindo um compromisso com a política progressista.
Da mesma forma, Yan Du busca criar um ambiente de experimentação artística. A fundação é parte de um movimento mais amplo que visa fomentar a comunidade e a pesquisa dentro da arte asiática e diasporas. Ambas as iniciativas exemplificam uma nova geração de patronos que priorizam o impacto social em vez da construção de legados pessoais.
Comparação com Paris
Enquanto Londres se destaca por sua rede diversificada de fundações menores e focadas em identidade, Paris abriga grandes museus privados, como a Fondation Cartier, que se mudaram para espaços imponentes e estão associados a marcas de luxo. Este modelo francês, sustentado por incentivos fiscais significativos, tem atraído investimentos substanciais, elevando o mercado de arte local e promovendo a cultura em grande escala.
O diretor da Delfina, Aaron Cezar, aponta que Londres se beneficia de um pluralismo estrutural, evidenciado pelo fato de que 41% da população londrina nasceu fora do Reino Unido. Isso, segundo ele, cria um ecossistema artístico mais equilibrado e acessível.
Ambas as cidades enfrentam desafios semelhantes, como a diminuição do financiamento público, mas suas abordagens à filantropia cultural diferem significativamente. Enquanto Paris se concentra em grandes iniciativas corporativas, Londres abraça um modelo mais comunitário e inclusivo, refletindo a evolução das fundações privadas em resposta às necessidades contemporâneas da arte e da sociedade.
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