O Oficina, teatro de São Paulo com mais de seis décadas de atuação, continua a redefinir o palco experimental. Sem Zé Celso desde 2023, a casa investe na transição para a “era da moçada”, mantendo a experimentação como prioridade.
Fundado em 1958, o grupo nasceu na USP e ganhou forma no espaço da rua Jaceguai em 1961, em um teatro sanduíche criado pelo arquiteto Joaquim Guedes. Ao longo do tempo, passou por reformas, incluindo um incêndio em 1966, e ganhou a forma atual em 1984, sob a visão de Lina Bo Bardi e Edson Elito.
O design único incorpora um palco central entre duas plateias, sem tradicional palco ou cortinas. O público se distribui em três andares de andaimes, com cerca de 350 lugares. Um cameraman registra a encenação para telas espalhadas pelo interior.
A proposta envolve repertório que dialoga com o cinema, a música e a política. Obras históricas de Chico Buarque e Oswald de Andrade já foram encenadas, e recentes produções incluem Montagens de Nelson Rodrigues, como Senhora dos Afogados, e 7 Gatinhos, de Joana Medeiros.
Em 2025, o line-up priorizou peças da dramaturgia brasileira, entre elas Ovo e a Galinha, inspirado em Clarice Lispector, e Contos de Fadas pra Kabeças Dialétikas, com cinco contos de Kafka. A agenda também trouxe apresentações em outros palcos da cidade, mantendo parceria com artistas ligados à fundação.
O Oficina não recebe patrocínio corporativo desde 2016, contando com apoiadores denominados de amantes, que contribuem com valores entre 50 e 10 mil reais por ano. Essa estratégia sustenta a programações flexíveis e a rotatividade de propostas.
Entre na conversa da comunidade