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Vivemos uma era de más pinturas; o meio artístico precisa ser desafiado

Crítica aponta excesso de pintura ruim em Frieze London e defende crise e dúvida como motor da renovação da pintura contemporânea

"There were people who thought painting was problematic": Christopher Wool's Untitled (2018), was recently on show at Gagosian, Grosvenor Hill, London Photo: Tim Nighswander; © Christopher Wool; courtesy the artist
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O crítico acompanha a Frieze London de outubro e observa um fenômeno recorrente nas feiras de arte: um excesso de pinturas de impacto raso. A percepção é de que a antes vibrante produção de pintura perdeu densidade num momento de consolidação de mercado.

Segundo a análise, o problema não é a ideia de pintura, mas a qualidade do que chega às galerias. Obras aparecem como resposta rápida a tendências de mercado, com pouca substância e repetição de fórmulas visuais, sem o peso de crises ou confrontos que antes impulsionavam o meio.

O texto faz referência a uma mostra em Ghent, intitulada Painting After Painting: a Contemporary Survey from Belgium, que reúne 74 artistas. Embora a curadoria tenha gerado discussões profundas, a crítica aponta que parte das obras ainda soa menos substancial em tema e execução.

Para o autor, a pintura parece ter se tornado demasiado confortável. Não há, no momento, objeções ideológicas para o formato, mas falta um embate que desafie a disciplina. Em crises históricas, a pintura costuma reagir com proposições mais contundentes.

A Menção a Thomas Lawson, em texto de 1981, serve para sugerir que a pintura pode esconder ideias radicais sob camadas de ambiguidades. A ideia é que a potência da pintura reside justamente na possibilidade de dúvida que provocam as imagens.

Dessa linha, o artigo cita Philip Guston como referência de mudança de rumo em pintura, quando o artista migrou da abstração para a figura, gerando controvérsia entre colegas na época. O crítico vê nos trabalhos recentes de Wool, Guston e outros artistas uma reedição dessa mesma tensão.

Entre os nomes citados como influentes recentemente, o texto destaca quatro artistas que, segundo o autor, moldaram linguagens pictóricas em momentos de intenso debate sobre os limites da pintura. A leitura sustenta que um clima de liberalidade excessiva não faz bem ao meio, mesmo após a aceitação de que a pintura não está morta.

Confronto contemporâneo

  • A crítica aponta o papel de galerias e museus na definição do que é relevante na pintura atual.
  • A relação entre pintura e outras práticas, como fotografia, é apresentada como permanente campo de tensão.
  • O ensaio defende que a pintura precisa manter uma disputação intelectual para conservar sua relevância histórica.

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