Hold on to Her revisita a morte de uma criança para discutir políticas de fronteira na Europa
O documentário Hold on to Her, dirigido por Robin Vanbiesen, usa o caso de Mawda Shawri para examinar a lógica por trás das políticas migratórias na UE. Mawda, uma menina de dois anos nascida na Alemanha de origem curda iraquiana, foi morta durante uma operação de controle de fronteiras na Bélgica em 2018. O filme organiza documentos e depoimentos para confrontar a narrativa policial sobre o incidente.
A produção analisa a forma como a polícia local descreveu o ocorrido e como o sistema de justiça tratou o caso, apontando contradições entre as versões oficiais e os relatos apresentados por familiares. Os pais, Phrast e Shamden, aparecem como parte de um retrato maior sobre as dificuldades enfrentadas por migrantes e pela família da vítima durante a investigação.
O filme questiona a desumanização associada a rótulos como migrante ou refugiado e discute como essas categorias podem justificar medidas de repressão. Comentários de especialistas comparam a retórica de controle de fronteiras com narrativas de caça, sugerindo que a linguagem influencia atos de violência estatal. O documentário propõe, ainda, que renunciar a essas etiquetas pode aproximar o público da realidade vivida pelas pessoas envolvidas.
A narrativa visual alterna cenas de estradas e rodovias belgas com leituras de depoimentos, buscando transmitir a sensação de alienação enfrentada por quem depende de políticas migratórias rígidas. Embora o objetivo seja expor estruturas de coerção, críticos apontam que a estética do filme pode dispersar o foco central da violência ocorrida contra Mawda.
Hold on to Her será exibido pelo True Story a partir de 6 de fevereiro.
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