O Berlin Film Festival, conhecido como Berlinale, divulgou uma nota extensa de defesa aos cineastas, especialmente ao presidente do júri, Wim Wenders, em meio a uma pressão midiática nos primeiros dias do evento. A resposta ressalta o valor dos artistas e o papel da imprensa na cobertura. O documento enfatiza que as declarações de Wenders sobre política foram retiradas de contexto.
Wenders afirmou que filmes podem mudar o mundo, mas não de forma política, e que cineastas devem permanecer fora da política. A fala gerou críticas entre setores da indústria e do público, reacendendo o debate sobre o alcance da arte na esfera pública. Um produtor polonês também comentou que o apoio do governo alemão a Israel foi questionado de forma complicada.
Reação e desdobramentos
Na sexta-feira, a escritora indiana Arundhati Roy deixou o Berlinale, criticando as observações do júri como inconscientes e alertando sobre o alcance global de tais falas. Roy disse que a ideia de que a arte não deve ser política impede discussões sobre crimes contra a humanidade.
No sábado, a diretora do festival, Tricia Tuttle, respondeu aos questionamentos sobre a pressão sobre artistas para comentar temas sociais. Tuttle afirmou que artistas são livres para escolher como se manifestar e que não devem ser obrigados a falar sobre todas as controvérsias associadas ao festival.
Um porta-voz do Berlinale destacou que as perguntas sobre política foram intensas nos últimos dias e que as declarações foram tiradas do contexto e da trajetória de trabalho dos artistas. O festival reforçou o compromisso com a defesa de artistas e da integridade da programação, destacando que a pauta artística não depende do entendimento político de terceiros.
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