Los Angeles vive uma queda abrupta na produção de televisão e cinema desde 2022, segundo números do Labor Department citados pelo Wall Street Journal. A indústria perdeu cerca de 42 mil empregos, queda de 30% na região.
Noah Wyle, estrela e produtor de The Pitt, participou de audiência no Congresso em março para discutir o impacto. Ele afirmou que, nos últimos seis anos, houve “quase o colapso” de um setor antes robusto, associado à migração de produções para outras regiões.
A crise tem múltiplas causas: competição global, consolidação do mercado, mudanças no comportamento de audiência e custos elevados em Califórnia. Durante a audiência, agentes do setor defenderam um incentivo fiscal federal para atrair produções de volta a Hollywood.
A origem do modelo de negócios da TV também é analisada. No começo do século, a TV por assinatura oferecia múltiplas fontes de renda: aluguel de hardware, mensalidades, publicidade e taxas cobradas aos anunciantes pelas redes.
Ao mesmo tempo, a expansão de canais via cabo gerou demanda por grandes equipes e milhares de horas de conteúdo. Trabalhadores como assistentes de câmera ou figurinistas atuavam em várias produções, muitas fora de Los Angeles, com contratos sindicais.
A virada ocorreu quando a Netflix lançou streaming em 2011 e produções originais em 2013. A promessa era pagar apenas pelo que o usuário quer assistir, sem comerciais, o que reduziu custos com pacotes de canais pouco assistidos.
Hoje, 83% dos adultos nos EUA usam serviços de streaming, com crescimento entre jovens. Fusões, inteligência artificial e novos hábitos de consumo prometem mais mudanças e instabilidade no setor.
Apesar disso, o mercado não está condenado a desaparecer. Grandes incentivos fiscais e adaptação do modelo de negócios podem manter a atividade, embora exijam equilíbrio entre lucro e sustentabilidade para produtores, estúdios e trabalhadores.
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