Lucrecia Martel lança Landmarks, documentário que investiga a morte de um líder indígena em disputa territorial na Argentina. O filme mostra como o racismo, o paternalismo e a infantilização afetam comunidades indígenas no país. A obra toma como foco o caso ocorrido em 2009.
A história central acompanha Javier Chocobar, líder Diaguita da comunidade Chuschagasta, em Tucumán, morto aos 68 anos dentro de seu território em 12 de outubro de 2009. O registro audiovisual foi feito por Darío Amín, empresário de mineração acusado, acompanhado por dois ex-polícias.
A obra se ancora em uma sequência de inquéritos que perduraram quase nove anos até o início do julgamento. A equipe de Martel acompanhou as 14 sessões de audiência e documentou relatos de racismo presentes no tribunal, especialmente em relação à legitimidade das terras e dos ativos indígenas.
Contexto histórico
O documentário aponta a invisibilização de comunidades indígenas na educação e na política pública argentina. Segundo a diretora, indígenas representam cerca de 3% da população conforme o censo de 2022, e há uma percepção de Argentina como nação europeia, desconectada da realidade regional.
Desdobramentos judiciais
O trio acusado foi condenado ao longo do tempo: Amín faleceu em 2021 por covid-19; os dois policiais, Gómez e Valdivieso, permaneceram presos após novas ordens de tribunais superiores, até o fim de 2023. A promotoria destacou o envolvimento de interesses comerciais na violência.
Sobre o filme
Landmarks foi desenvolvido durante cerca de 15 anos, com Martel dizendo que o trabalho ultrapassa o caso de Chuschagasta para discutir um conflito histórico de usurpação de terras. A diretora afirma que a produção não se dirige a um único grupo, mas a uma questão nacional de direitos territoriais.
Já em estágio de promoção, o filme tem estreia em Bertha DocHouse, em Londres, anunciada para 29 de maio. A distribuidora planeja a continuidade de diálogos sobre direitos indígenas no cinema argentino.
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