O Festival de Avignon abre a 80ª edição neste sábado, 4 de julho, com a estreia de Maldoror, criação de Julien Gosselin inspirada em Roberto Bolaño e Lautréamont. O espetáculo terá cerca de cinco horas e marca a abertura da programação de três semanas na cidade francesa.
Gosselin, encenador ligado ao Odéon-Théâtre de l’Europe, protagoniza a abertura ao lado de uma programação internacional de peso para o festival, referência mundial das artes cênicas há décadas. Maldoror propõe um diálogo entre literatura, cinema e performance.
A encenação investiga a origem do mal, tema central da montagem, conectando a obra de Bolaño com Os Cantos de Maldoror. A proposta aborda violência contemporânea, memória de ditaduras latino-americanas e o que Bolaño chamava de segredo do mal.
Entre os destaques, Han Kang, vencedora do Nobel de Literatura de 2024, participa com leituras inspiradas em seu romance Impossíveis Adeuses, que trata da memória do massacre de Jeju. Julie Deliquet e Daria Deflorian dirigem algumas peças associadas à obra.
Wagner Moura retorna aos palcos, após 16 anos, em Um Julgamento – Depois de O Inimigo do Povo, encabeçada por Christiane Jatahy e Lucas Paraizo. Carolina Bianchi apresenta Uma Luz Cordial, encerrando a trilogia Cadela Força, ao lado de Lia Rodrigues, dedicada à formação artística.
A leitura-performática Oiseau reunirá Isabelle Huppert e a sul-coreana Hyeyoung Lee, destacando uma das produções mais aguardadas da edição. A dança contemporânea também aparece com coreografias de artistas da Coreia do Sul, França e outros países.
Desde 2023, Tiago Rodrigues dirige o festival com foco em ampliar a presença internacional e ampliar o diálogo entre culturas. A 80ª edição não celebra retrospectiva, mas coloca a dúvida como tema central, segundo o cartaz oficial.
A abertura, com Maldoror, deverá reunir milhares de espectadores no Pátio de Honra do Palácio dos Papas. A proposta é iniciar o festival com perguntas sobre a origem do mal e o papel das artes diante de crises e polarização.
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