A Halo Studios, antiga 343 Industries, responsável pela produção dos jogos da franquia Halo desde 2010, deixou de ser a principal produtora da série. Durante uma reestruturação feita pela Xbox, a empresa agora ficará encarregada apenas de dar suporte aos jogos atuais e à comunidade.
A saga Halo é o carro-chefe da marca de videogames Xbox, comandada pela Microsoft. Inicialmente, o estúdio Bungie criou a série e desenvolveu os principais jogos entre 2001 e 2010, incluindo Halo: Combat Evolved, Halo 2, Halo 3, Halo 3: ODST e Halo: Reach. Após o lançamento de Halo: Reach, a 343 Industries ficou à frente de Halo entre 2010 e 2024, quando foi renomeada para Halo Studios.
Agora, a Activision, criadora da franquia Call of Duty, ficará responsável pela produção dos próximos jogos da série. Além disso, a produtora também passará a supervisionar os estúdios World’s Edge e Rare.
A decisão veio logo após a onda de demissões que afetou 268 funcionários da Halo Studios, que agora conta com uma equipe consideravelmente menor e que não foi a única produtora afetada. A Bethesda, criadora da série de RPG The Elder Scrolls, agora ficará responsável pelo estúdio Obsidian, desenvolvedor da franquia Fallout.
A King, criadora do jogo Candy Crush e subsidiária da Activision Blizzard, passará a comandar a divisão de jogos casuais da Microsoft. Já os estúdios Playground e Turn 10 foram mesclados em um só, ficando responsáveis pela franquia de jogos de corrida Forza e pela série de RPG Fable.
Todas as empresas reorganizadas internamente fazem parte do conglomerado Xbox, que, por sua vez, é de propriedade da Microsoft.
Reorganização faz parte de plano divulgado em julho
Esta reestruturação é a continuação de um plano iniciado oficialmente em julho. No dia 6 daquele mês, a CEO da Xbox, Asha Sharma, afirmou diretamente que “nossos negócios não estão saudáveis atualmente”.
De acordo com a empresa, isso deriva de quatro motivos principais.
Primeiro, Sharma afirmou que a companhia está operando com margens de lucro entre três e dez vezes menores que negócios comparáveis de plataformas e publicação de jogos. A empresa diz que entrou na atual geração de consoles com uma base instalada menor e uma estrutura de custos mais alta.
Segundo, a aposta no Game Pass, plano de assinatura de jogos, nos lançamentos multiplataforma e na expansão do catálogo gerou valor, mas, segundo Sharma, não cresceu no ritmo esperado. Ao mesmo tempo, a Xbox continuou acrescentando equipes, investimentos e tempo aos projetos.
Em junho, a própria companhia já havia informado que, excluindo a Activision Blizzard King, havia investido mais de US$ 20 bilhões em conteúdo, plataforma e subsídios de hardware nos cinco anos anteriores, enquanto a receita anual havia diminuído quase US$ 500 milhões no período.
Terceiro, a estrutura ficou grande e fragmentada. Foi revelado que algumas áreas chegavam a ter 14 níveis de gerenciamento e que as equipes responsáveis pela plataforma estavam 40% maiores que no início da geração, mesmo com a redução na base de jogadores e no tempo de jogo. O plano é reduzir a hierarquia para, no máximo, cinco níveis e, quando possível, três.
Por fim, há o custo do hardware, descrito como uma “crise de componentes”, especialmente de armazenamento e memória, que elevou fortemente os custos dos consoles.
Matt Booty resumiu, no anúncio de terça-feira, a lógica da nova reorganização dos estúdios: operar com menos unidades de negócios, aproximar equipes que já trabalham juntas e concentrar a experiência de publicação da companhia.
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