Às vésperas de completar cinco décadas desde o encontro que deu origem à banda, o U2 anunciou nesta quarta-feira o nome de seu próximo álbum. Batizado de “Carnival of Light”, o disco foi revelado poucos dias antes do aniversário da reunião dos integrantes, que aconteceu em uma cozinha de Dublin, em 1976, quando eles ainda eram estudantes.
Durante participação em um podcast, o vocalista Bono confirmou rumores antigos de que o grupo se preparava para lançar seu 15º álbum, animando fãs que devem participar de eventos comemorativos neste fim de semana na capital irlandesa.
“Não posso dizer. Vou dizer”, brincou Bono em um podcast do Irish Times que relembrou a trajetória da banda. “O novo álbum se chama Carnival of Light… é um trabalho forte”, acrescentou Bono, enquanto recordava a formação do quarteto na cozinha do baterista Larry Mullen.
Esse momento marcante da história do rock, que ocorreu em 25 de setembro de 1976, será celebrado durante o evento U250, organizado por fãs em Dublin neste fim de semana, além do lançamento, na sexta-feira, de uma nova moeda de dois euros pelo Banco Central da Irlanda.
Reinvenção
Embora mal soubessem tocar seus instrumentos no primeiro ensaio, ainda adolescentes, e quase tenham perdido o contrato com a gravadora após a recepção decepcionante do segundo álbum, “October”, os integrantes do U2 acabaram produzindo alguns dos maiores sucessos das décadas de 1980 e 1990.
Estima-se que, ao todo, tenham vendido 175 milhões de álbuns, além de acumularem atualmente mais de 23 milhões de ouvintes mensais no Spotify.
“A cada álbum, eles continuam ultrapassando limites criativos”, disse à AFP Alex Conyngham, proprietário do Castelo de Slane, na Irlanda, onde a banda se apresentou e realizou gravações em diversas ocasiões ao longo da carreira. “Isso sempre esteve no DNA deles. Nunca foram uma banda que simplesmente se acomodou nos sucessos.” Concluiu
O novo álbum — o primeiro desde “Songs of Experience”, de 2017 — chega após o lançamento de novas músicas neste ano, incluindo “Street of Dreams”, em julho.
Aidan Alcock, diretor do famoso estúdio Windmill Lane, em Dublin, onde o U2 gravou o álbum de estreia, “Boy”, e os dois discos seguintes, também destacou a capacidade do grupo de seguir se renovando.
“Eles estão sempre cheios de surpresas. E acho que isso também é o que os mantém em atividade”, afirmou à AFP.
Bono disse ao Irish Times que a busca pela perfeição continua sendo uma de suas principais motivações, assim como o prazer de passar tempo com os outros integrantes da banda.
“Suponho que exista sempre a ideia de que, logo ali na esquina, está a música perfeita ou a apresentação perfeita… é uma loucura dizer isso, mas essa ainda é a nossa droga preferida na banda”, afirmou ao jornal.
Soft power
Formado por Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen, o U2 tornou-se um símbolo da rica cultura e história musical da Irlanda, além de reunir alguns dos rostos irlandeses mais conhecidos internacionalmente.
Durante uma exposição em Paris, na terça-feira, que celebra os 50 anos da banda, a embaixadora da Irlanda na França, Alison Milton, homenageou o grupo, classificando-o como “parte da nossa reputação, do nosso ‘soft power’ nas relações internacionais”.
O curador da exposição, Clement Mathieu, jornalista da revista de celebridades Paris Match, atribuiu o amplo apelo internacional do U2 a uma trajetória de sucessos capaz de rivalizar com nomes como Michael Jackson e Madonna.
“Há algo da alma irlandesa neles: há paixão, há amor, há raiva. A música do U2 não é particularmente marcada por uma sonoridade irlandesa; ela é mais marcada pela alma e pelo coração irlandeses”, disse à AFP.
Com um novo álbum, é praticamente certo que o U2 volte à estrada para uma série de shows em estádios, outro elemento fundamental para explicar a longevidade de seu sucesso.
“Eles são uma das grandes bandas ao vivo”, afirmou Conyngham à AFP. “Se você vai a um show do U2, nunca ficará decepcionado em termos da energia e do comprometimento que eles apresentam. Eles realmente trabalham muito.”
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