[CONTEÚDO DE MARCA]
José Mourinho não punha os pés no Santiago Bernabéu desde 2013. Treze anos depois, voltou pela porta da frente: contrato de três temporadas, apresentação com Florentino Pérez ao lado, e uma missão que ninguém no clube esconde. O Real Madrid está há dois anos sem ganhar nada de relevante. O Barcelona levou a LaLiga nas duas últimas temporadas, o Bayern eliminou os merengues na Champions, e a paciência do presidente acabou. Os fãs que seguem os jogos na Espanha compram muitas vezes os bilhetes através da Hellotickets antes de marcarem a viagem, e neste ano o Bernabéu está mais caro e mais procurado do que na temporada passada. A chegada de Mourinho faz isso ao mercado.
O que o clube foi buscar no mercado
Florentino Pérez prometeu reforços de peso e cumpriu. Em menos de 72 horas, em junho, o Real Madrid anunciou três contratações seguidas. Marc Cucurella, lateral-esquerdo espanhol, chegou do Chelsea por 55 milhões de euros para resolver um problema que durava há anos no corredor esquerdo da defesa, onde Ferland Mendy passou mais tempo no banco médico do que em campo. Bernardo Silva assinou até 2028 depois de nove temporadas no Manchester City, a custo zero e com a bênção de Jorge Mendes, agente que compartilha com Mourinho.
A ligação entre os dois era conhecida, e, quando Mourinho chegou ao Bernabéu, o meia português deixou de hesitar entre o Atlético e o Real. Ibrahima Konaté chegou também livre, depois de o Liverpool ter concluído que renovar custaria mais do que valia. O meio-campo francês traz 183 jogos em Anfield, um título de Premier League e a cumplicidade com Trent Alexander-Arnold, que já jogou ao seu lado na Inglaterra. A estes três juntou-se Denzel Dumfries vindo do Inter de Milão. Quatro reforços anunciados enquanto os jogadores ainda disputavam o Mundial de 2026 na América do Norte, o que diz muito sobre o ritmo que Florentino impôs ao verão.
Mbappé na ressaca do Mundial
O francês foi o artilheiro do torneio com dez gols e voltou a Valdebebas com a moral em alta, mas mais tarde do que a maioria dos companheiros. A época anterior tinha sido difícil: vaiado pelos fãs, deixado no banco por Arbeloa em momentos decisivos, fotografado de férias na Sardenha enquanto se recuperava de lesão. Nada disso pareceu pesar nas primeiras semanas de trabalho com Mourinho.
Nas primeiras declarações à Real Madrid TV, Mbappé foi direto: “Mourinho sabe como se vencem títulos. O time está feliz por trabalhar com alguém que sabe para onde vai”. Disse ainda que manteve contato com a comissão técnica durante o Mundial e que a sintonia foi imediata. Pode ser protocolo de apresentação, pode ser genuíno. O que interessa é que o atacante chegou motivado, sem lesões, e com dez gols no currículo recente que ninguém pode ignorar.
O caso Vinicius
Este é o tema que não vai desaparecer tão cedo. Vinicius Júnior foi o melhor jogador do Real Madrid na temporada passada com 22 gols, numa campanha em que o clube falhou em praticamente tudo o resto. O contrato termina em 2027, e as negociações de renovação arrastam-se há meses sem desfecho. O Chelsea foi noticiado com interesse concreto, e fontes próximas do jogador admitem que a decisão final pode depender muito da relação que construir com o novo treinador. Mourinho tratou-o desde o primeiro treino como indiscutível, e Vinicius disse publicamente que as conversas correram bem. Mas conversas que correm bem não são sinônimo de contrato assinado. Esta novela vai acompanhar a temporada toda, e cada vez que o brasileiro fizer um jogo pior, os rumores voltam.
O que mudou em Mourinho
A primeira passagem do português pelo clube terminou mal, com conflitos com jogadores, guerra aberta com a imprensa catalã, e uma saída que deixou rancor de ambos os lados. Mas foi também a época em que o Real Madrid ganhou a LaLiga com 100 pontos, ainda hoje o recorde da competição. A versão de 2026 parece mais contida nas entrevistas, mais cuidadosa nas palavras públicas. Os treinos das primeiras semanas foram descritos pelas fontes do clube como intensos e bem organizados. Bernardo Silva integrou-se rapidamente e foi identificado internamente como peça central no miolo do meio-campo. A questão que Madrid quer ver respondida é se Mourinho consegue que Mbappé, Vinicius, Bellingham e Alexander-Arnold funcionem todos juntos sem que o sistema colapse sob o peso dos egos.
O calendário não perdoa
A temporada começou em agosto com a deslocação ao Espanyol. Setembro traz o dérbi de Madrid no Metropolitano, logo na sexta rodada, e os primeiros jogos da fase de grupos da Champions. No final de outubro, o Clásico em Camp Nou contra o Barcelona. São os três grandes testes de Mourinho, todos concentrados nos primeiros dois meses, antes de qualquer margem para respirar. O Real Madrid sabe que não pode chegar no Natal outra vez a vários pontos do Barcelona, como aconteceu nas últimas duas temporadas, tentando uma recuperação que nunca chegou a se concretizar.
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