Durante muito tempo, gostar de se vestir foi associado a comprar cada vez mais, manter o guarda-roupa cheio e acompanhar tudo o que aparecia nas vitrines e nas tendências do momento. Aos poucos, porém, essa relação começou a mudar, com mais pessoas buscando outras maneiras de aproveitar o interesse por roupas sem transformar esse prazer em uma sequência de novas compras.
O mercado de roupas usadas já faz parte dos hábitos de uma boa parcela dos consumidores, principalmente entre os mais jovens. Uma pesquisa da Harris Poll realizada nos Estados Unidos mostrou que 63% dos adultos da geração Z já compraram roupas ou acessórios de segunda mão, contra 47% da população adulta em geral.
O preço ainda é o principal atrativo para esse público, mas a procura também está ligada ao prazer de garimpar e à possibilidade de encontrar peças únicas, fatores que ajudam brechós, plataformas de revenda e itens vintage a ganhar espaço nas escolhas de moda.
Embora comprar peças usadas seja muito mais vantajoso do que adquirir produtos novos do ponto de vista do consumo, isso não elimina necessariamente o problema do excesso. Isso acontece porque, muitas vezes, as compras de segunda mão são acrescentadas aos hábitos de consumo de fast fashion, em vez de substituí-los.
Para quem gosta de moda, mas quer aproveitar esse interesse sem cair na armadilha do consumo excessivo, aqui estão cinco sugestões.
1. Redescubra o que já está no seu armário
A ideia de shopping your closet, algo como “fazer compras no próprio armário”, consiste em criar novos looks usando as peças que você já tem. O conceito vem ganhando espaço nas redes sociais há algum tempo.
Pensar em novas maneiras de combinar e usar roupas antigas ajuda a tirar o foco da compra e direcioná-lo para a criatividade.
Um guarda-roupa menor e versátil pode favorecer a criatividade e tornar a escolha das roupas mais satisfatória. Em um estudo publicado em 2022 na revista científica Sustainability, sete universitárias passaram sete semanas usando um guarda-roupa cápsula com no máximo 33 itens e, ao fim da experiência, quatro participantes apresentaram aumento nos resultados de um teste de criatividade.
As cinco que se declararam satisfeitas com a seleção de peças foram justamente as que melhoraram ou mantiveram seus resultados e, durante o período, cada participante criou, em média, 40 combinações de roupas.
Uma alternativa é reservar um momento específico para explorar o guarda-roupa e encarar a montagem de looks como um desafio divertido, não como uma obrigação. A criatividade costuma funcionar melhor quando há menos pressão, portanto, não é uma boa ideia tentar experimentar novas combinações quando você já está atrasado.
Para buscar inspiração, plataformas como o Pinterest podem ajudar. Pesquisas específicas, como “look com blazer oversized”, podem revelar novas formas de usar peças que já estão no armário.
Outra possibilidade é estabelecer um desafio: passar dez dias sem repetir nenhuma combinação usada anteriormente.
E, para não esquecer dos resultados, tire fotos rápidas no espelho sempre que encontrar uma combinação que funcione bem. Assim, você cria seu próprio catálogo de looks para consultar nos dias mais corridos.
2. Aprenda a ter menos
Ter roupas demais pode provocar o chamado excesso de opções, situação em que tomar uma decisão se torna mais difícil porque há alternativas demais para avaliar.
Em geral, as pessoas têm mais facilidade para escolher quando existe um número menor de possibilidades. Se você tem duas camisetas, provavelmente consegue decidir qual usar em poucos segundos. Diante de 18 opções, porém, escolher pode se tornar bem mais complicado.
Em vez de encarar a organização das roupas apenas como uma arrumação, transforme o processo em um projeto de estilo. Separar as peças por cor, modelagem ou formato pode ajudar a reencontrar roupas esquecidas e a perceber melhor os detalhes e a qualidade de itens que você já possui. Além disso, um armário mais organizado facilita as escolhas do dia a dia.
3. Compre como um colecionador
Uma alternativa é passar a comprar roupas com a mentalidade de um colecionador ou curador. Isso significa priorizar peças únicas e de boa qualidade, levando em conta seu gosto pessoal e a possibilidade de usá-las por muitos anos.
Em vez de se orientar apenas pelas tendências, vale observar características como a gramatura e a qualidade do tecido, as costuras, o acabamento do forro e a presença de fibras naturais, como lã, linho e seda. A ideia é garantir que cada nova peça tenha condições de permanecer no guarda-roupa por bastante tempo.
Também pode ser útil manter uma lista das peças básicas que ainda faltam ou de modelos específicos e antigos que você gostaria de encontrar. Planejar previamente diminui as chances de uma compra por impulso que mais tarde provoque arrependimento.
Outro passo é construir uma visão clara do seu próprio estilo, observando quais modelagens, paletas de cores e texturas você realmente prefere. Dessa forma, toda nova compra precisa fazer sentido ao lado das peças que já fazem parte do guarda-roupa.
4. Experimente alugar e pegar roupas emprestadas
O aluguel de roupas se tornou uma parte importante da chamada moda circular. A prática é especialmente útil para peças destinadas a ocasiões específicas, que poderiam ser compradas para serem usadas apenas uma vez.
Alugar em vez de comprar também pode evitar o incômodo associado à aquisição de uma roupa que terá pouquíssimo uso.
Para quem não quer gastar com aluguel, outra possibilidade é compartilhar peças com amigos. Essa também é uma forma de experimentar estilos diferentes sem precisar aumentar o número de roupas no armário.
5. Aprenda a consertar suas roupas
Consertar uma peça pode fortalecer o vínculo emocional com ela. Isso ocorre tanto pelo tempo dedicado ao reparo quanto pelo contato direto com a roupa durante o processo. Como consequência, a tendência é cuidar melhor daquele item e continuar usando-o por mais tempo.
Os reparos também são uma oportunidade para transformar as roupas. É possível, por exemplo, usar linhas de cores contrastantes ou aproveitar um furo para criar um desenho, como uma estrela. Uma abordagem mais criativa pode dar uma aparência completamente diferente a uma peça antiga.
O ideal é tentar fazer do conserto uma atividade prazerosa, e não mais uma obrigação. Coloque uma música, faça tudo com calma e aproveite o processo.
(Com informações da AFP)
Entre na conversa da comunidade