- A morte de Piper James, 19 anos, canadense, ocorreu em K’gari (Fraser Island) no dia 19 de janeiro, com o corpo encontrado na praia; em 6 de março, o inquérito do coroner indicou que a jovem morreu afogada após ataque de dingoes.
- A notícia ganhou nova ressonância no Sydney Biennale, que acontece de 14 de março a 14 de junho, com a obra de Cannupa Hanska Luger.
- A instalação Volume III White Bay Power Station traz sete crânios de dingo em cerâmica, com apitos que produzem sons ao serem soprados por um “pulmão mecânico”, simulando uivos.
- O White Bay Power Station fica perto do centro de Sydney; K’gari abriga cerca de duzentos dingoes protegidos, que circulam em áreas de visa até acampamentos.
- Após a morte, houve relatos de eutanásias de dingoes; povos indígenas locais afirmam não ter sido consultados sobre as medidas tomadas.
O que aconteceu envolve a obra performativa Volume III White Bay Power Station, de Cannupa Hanska Luger, criada para a Bienal de Sydney. Enquanto o artista falava sobre dingos, um caso trágico em torno de Piper James ganhou repercussão. James, canadense de 19 anos, faleceu após mergulho matinal em K’gari, ilha anterior Fraser, no litoral leste da Austrália, em 19 de janeiro. O corpo foi encontrado na praia. Em 6 de março, o Tribunal de Coroner da Queensland confirmou que a causa da morte foi afogada após ataque de dingos.
O contexto da ilha, parque natural de 166 mil hectares, abriga cerca de 200 dingos protegidos que vivem em grupos. A investigação sobre a morte de James permanece aberta, sem informações adicionais no momento. A ilha recebe cerca de 400 mil visitantes por ano, com regras estritas quanto à alimentação de dingos para evitar comportamentos agressivos.
Contexto da obra em Sydney
A obra de Hanska Luger envolve sete crânios de dingo em cerâmica, com dentes dourados, acentuando a ideia de valorizar elementos da natureza antes de desaparecerem. O som de lamentos produzidos por um “pulmão mecânico” pretende acompanhar a instalação dentro da antiga White Bay Power Station, localizada em frente ao centro de Sydney.
O artista nasceu no Standing Rock Reservation, é de origem Mandan, Hidatsa, Arikara e Lakota. Participam da Bienal 2026 quinze artistas de diversas nações indígenas, convidados pela Cartier Foundation. A curadoria destaca a proposta como celebração de resiliência indígena, conectando a obra ao tema da mostra.
Observações de especialistas
Bruce Johnson McLean, curador e integrante do Wierdi, comenta que dingos podem ser perigosos quando atraídos por acampamentos humanos. Ele reforça a responsabilidade de manter a distância de animais selvagens e reconhece que outros animais também apresentam riscos, dependendo do contexto.
Hanska Luger afirma que o dingo, visto como espécie em trajetória de recuperação, é um tema relevante para a reflexão sobre como a sociedade valoriza a fauna selvagem. A peça sublinha a necessidade de reconhecer a importância da natureza antes de sua possível perda.
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