- Kim Thayil, guitarrista do Soundgarden, lança o memoir A Screaming Life, com publicação prevista pela William Morrow em 9 de junho nos Estados Unidos, e revela nove faixas inacabadas da banda.
- O texto destaca a rejeição da banda ao hair metal e ao machismo do rock dos anos oitenta, além de mencionar o hit Black Hole Sun como marco de sucesso.
- A formação original incluiu Hiro Yamamoto e Chris Cornell, passando por mudanças até a chegada de Matt Cameron, e a parceria com Sub Pop ajudou a impulsionar a cena de Seattle.
- Em 1994, Kurt Cobain cometeu suicídio, momento que impactou profundamente Thayil e os demais, ajudando a consolidar a identidade da banda durante o auge do grunge.
- Após a volta de 2010, Soundgarden retomou atividades, lançou King Animal em 2012, e Thayil continua envolvido com faixas inacabadas, além de participar de projetos paralelos e da inclusão da banda no Hall da Fama do Rock.
Kim Thayil revela detalhes sobre a origem do grunge, a trajetória do Soundgarden e perdas marcantes em seu novo livro de memórias. Em A Screaming Life, o guitarrista revisita a cena de Seattle, a rejeição ao hair metal e o papel dos imigrantes na formação da banda. O relato também aborda a relação com Chris Cornell e Kurt Cobain, bem como os impactos pessoais da fama.
A obra, que chega aos EUA em 9 de junho pela editora William Morrow, acompanha a criação de canções marcantes e a construção de uma identidade musical que rompeu com estereótipos do rock dos anos 80. Thayil descreve a evolução do Soundgarden desde os primeiros lançamentos até o reconhecimento internacional.
Thayil nasceu em Park Forest, no subúrbio de Chicago, e cresceu entre referências da cultura americana. Ao lado do baixista Hiro Yamamoto, formou Soundgarden em 1984, com um terceiro membro na bateria que viria a enriquecer o grupo. O guitarrista destaca a importância de um núcleo criativo que combinou peso instrumental com sensibilidade estética.
O início da banda foi marcado pela convivência com uma cena de Seattle fermentando o que viria a ser o grunge. O grupo lançou o single Hunted Down em 1987, que ajudou a pavimentar o caminho para a popularização do movimento na região. Thayil enfatiza o foco em sonoridades pesadas e letras que dialogavam com temas sociais.
O alinhamento clássico de Soundgarden teve mudanças que influenciaram seu curso. O vocal de Cornell ganhou projeção após a chegada de Matt Cameron na bateria, consolidando uma identidade sonora que se destacou no cenário alternativo. A parceria entre Thayil, Yamamoto e Cornell foi decisiva para o sucesso subsequente.
O avanço rumo ao mainstream ocorreu com o lançamento de Badmotorfinger, em 1991, que rendeu a banda o reconhecimento comercial e críticas positivas. A faixa Black Hole Sun, escrita para o álbum Superunknown, ajudou a consolidar a banda internacionalmente, abrindo portas para premiações e grandes shows.
Em paralelo, a tripla ambição do Soundgarden coincidiu com perdas no meio musical. Em 1994, a morte de Kurt Cobain impactou profundamente Thayil e os colegas, que se reuniram para lidar com a dor após o evento. A saúde emocional dos integrantes passou por crises associadas à agenda de turnês e à pressão do estrelato.
A partir de 1996, a banda passou por uma fase de cansaço e rompimentos. Cornell seguiu carreira solo e formou Audioslave. Thayil manteve projetos paralelos, incluindo atividades com MC5 e outras colaborações. A convivência entre os membros teve altos e baixos, refletindo desafios comuns a grupos de longa duração.
Em 2010, Soundgarden se rearticulou, lançando King Animal em 2012 e retomando a parceria criativa. Contudo, a vida de Cornell continuou marcada por lutas pessoais, levando ao falecimento do músico em 2017. Thayil descreve o impacto emocional dessa perda e o pensamento sobre o que poderia ter sido feito para evitar perdas.
Atualmente, Thayil mantém o compromisso com o legado do Soundgarden, incluindo a participação na indução da banda ao Hall da Fama do Rock, realizada em novembro passado. O guitarrista também administra o repertório inacabado da banda, com nove faixas que contavam com vocais de Cornell. O futuro dessas gravações depende de apoios financeiros e administrativos para conclusão.
A Screaming Life, de Kim Thayil, marca uma visão honesta sobre a formação de uma das bandas mais influentes do grunge. O livro relembra a relevância de Seattle para o rock alternativo e reforça o papel de Thayil como narrador de uma era sem volta. A obra chega aos leitores em breve, com distribuição prevista para outros mercados.
Entre na conversa da comunidade