- Tremembé, a cerca de 130 quilômetros de São Paulo, abriga um presídio famoso por receber detentos de casos notórios.
- A nova série do Prime Video, “Tremembé”, é baseada em livros-reportagem do jornalista Ullisses Campbell sobre crimes famosos, incluindo o de Suzane von Richthofen.
- Suzane foi condenada a 39 anos de prisão por assassinar seus pais, Manfred e Marísia von Richthofen, em um crime planejado com os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos em 31 de outubro de 2002.
- O crime foi inicialmente encenado como um latrocínio, mas a polícia desconfiou e concentrou as investigações em Suzane e Daniel, que acabaram confessando.
- Desde janeiro de 2023, Suzane cumpre pena em regime aberto e, em 2024, teve um filho com o médico Felipe Zecchini Muniz, adotando o nome Suzane Louise Magnani Muniz.
Localizada a cerca de 130 quilômetros da capital paulista, Tremembé é uma cidade conhecida por abrigar um dos presídios mais emblemáticos do estado. O município ganhou notoriedade nacional por receber, ao longo dos anos, detentos envolvidos em casos de grande repercussão, que despertaram a atenção da mídia e da opinião pública, e é sobre essas histórias que a nova série do Prime Video, “Tremembé”, vem ganhando atenção no streaming. A trama tem como base dois livros-reportagem do jornalista Ullisses Campbell: *Suzane: Assassina e Manipuladora* (2020) e *Elize Matsunaga: A Mulher que Esquartejou o Marido* (2021).
O Portal Tela vai explicar cada um dos casos abordados na série, e o escolhido de hoje foi sobre Suzane von Richthofen, um dos crimes mais comentados da história do país.
A menina que matou os pais
Suzane von Richthofen (interpretada por Marina Ruy Barbosa) foi sentenciada a 39 anos de prisão após assassinar seus próprios pais, Manfred e Marísia von Richthofen, em um homicídio triplamente qualificado, ocorrido em 31 de outubro de 2002, em São Paulo. O crime foi planejado e executado em conjunto com os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos, namorado e cunhado de Suzane.
Todas as obras e apurações sobre o caso mostram que Suzane tinha uma relação distante dos pais, marcada por pouco afeto e atenção. Essa lacuna afetiva começou a ser preenchida quando conheceu Daniel Cravinhos. O encontro se deu de forma indireta: durante um passeio no Parque Ibirapuera, seu irmão Andreas se interessou por uma competição de aeromodelismo e passou a se aproximar de Daniel, que participava do evento e dava aulas sobre o hobby. Pela amizade com Andreas, Suzane passou a conviver com Daniel e, aos poucos, começou o namoro.
Daniel vinha de uma família simples, e, inicialmente, isso não preocupava Manfred e Marísia, que acreditavam se tratar de um namoro passageiro. Com o tempo, porém, os pais passaram a atribuir ao relacionamento os problemas da filha, como baixo desempenho escolar, envolvimento com drogas e episódios de rebeldia, chegando a proibir o namoro e qualquer tipo de encontro entre os dois. Esses conflitos levaram os adolescentes a acreditar que a melhor opção seria fugir e começar uma vida longe da presença dos pais de Suzane.
Entre maio e setembro de 2002, as visitas de Daniel à casa da família provocaram várias brigas com Manfred, que levaram a polícia a intervir diversas vezes. Dois anos de relacionamento conturbado e escondido evoluíram, na mente de Suzane e Daniel, de um simples desejo de se afastar dos pais para a ideia concreta de assassiná-los.
O plano
Na tarde de 30 de outubro, Suzane e Daniel testaram uma arma para verificar se os disparos no quarto dos pais seriam ouvidos fora de casa. O barulho alto os fez desistir temporariamente do plano, e Suzane chegou a esquecer da ideia por um momento. Entretanto, quando Daniel ameaçou se suicidar, Suzane voltou a apoiar o crime, embora sem se envolver diretamente na execução.
O plano dependia da participação de duas pessoas, e por isso Daniel tentou envolver o irmão, Cristian, que inicialmente recusou, alegando não ser criminoso e que contaria aos pais. Isso abalou Daniel, que por um instante desistiu da ideia. Suzane, então, inventou que era abusada pelo pai para reacender a motivação do namorado. Ele voltou a apelar a Cristian, que, sensibilizado pela história e por lealdade ao irmão, concordou em participar do crime, mas já avisava que não saberiam lidar com as consequências do ato.
Na noite do crime, em 31 de outubro de 2002, ela permitiu a entrada dos irmãos Cravinhos na residência da família, onde os pais foram mortos com golpes de barras de metal na cabeça enquanto dormiam. Após o assassinato, o trio tentou stentou simular um latrocínio (roubo seguido de morte) para dificultar as investigações.
Investigações
Desde o início, a polícia desconfiou que o suposto latrocínio na casa dos Von Richthofen era uma encenação e concentrou as investigações nas pessoas próximas à família. O relacionamento de Suzane com Daniel Cravinhos, desaprovado pelos pais, especialmente pela mãe, passou a ser o principal foco. As suspeitas aumentaram quando Cristian Cravinhos comprou uma moto nova dias após o crime. Ele foi preso preventivamente, confessou o crime e, em 8 de novembro de 2002, Suzane, Daniel e Cristian confessaram juntos o assassinato de Manfred e Marísia von Richthofen.
Julgamento
O julgamento de Suzane von Richthofen e dos irmãos Daniel e Cristian Cravinhos começou em 17 de julho de 2006. Durante os cinco dias de júri, os réus apresentaram versões conflitantes sobre o crime. Suzane afirmou que não sabia do plano e culpou os irmãos, enquanto Daniel declarou que ela foi a mentora, motivada por conflitos familiares e pelo desejo de ficar com a herança. Cristian chegou a mudar seu depoimento após o testemunho da mãe, admitindo ter golpeado Marísia e reforçando que a ideia partiu de Suzane. Depoimentos de testemunhas, como o irmão Andreas e a delegada Cíntia Tucunduva, reforçaram a frieza da acusada.
O julgamento foi marcado por momentos de contradições e muita tensão. A promotoria defendeu que o crime foi premeditado e motivado por ganância, enquanto as defesas tentaram minimizar a participação de seus clientes. Após os debates entre acusação e defesa, o júri considerou os três culpados. Na madrugada de 22 de julho de 2006, Suzane e Daniel foram condenados a 39 anos e 6 meses de prisão, e Cristian a 38 anos e 6 meses, pelas mortes de Manfred e Marísia von Richthofen.
Prisão e vida em Tremembé
Em 2007, Suzane foi transferida da Penitenciária Feminina de Ribeirão Preto para Tremembé, conhecida como “presídio dos famosos”, onde Daniel e Cristian também cumpriam pena. A mudança ocorreu após surgirem ameaças de morte contra ela na antiga unidade.
Em Tremembé, Suzane conheceu Sandrão, figura central na série do Prime Video. Pouco se sabe sobre a relação entre elas até 2012, quando Elize Matsunaga, condenada por assassinar e esquartejar o marido Marcos Matsunaga, se envolveu brevemente com Sandrão. O relacionamento terminou após Sandrão se aproximar de Suzane, iniciando um namoro em 2014. A relação gerou tensões entre as mulheres, levando Elize a se afastar.
O relacionamento entre Suzane e Sandrão ganhou notoriedade dentro e fora da penitenciária. Elas chegaram a dividir a cela conhecida como “gaiola do amor”, destinada a casais homoafetivos fixos, e Sandrão também protegia Suzane, mas o romance acabou em meados de 2015.
Vida atual
Desde janeiro de 2023, Suzane cumpre o restante da pena em regime aberto, após obter progressão da Justiça. Para a reintegração, passou por testes criminológicos que avaliaram seu risco de reincidência, considerando a dependência do ambiente social e necessidades pessoais.
Durante o regime semiaberto, Suzane enfrentou problemas com as autoridades, incluindo revogação de benefícios por informar endereço errado e descumprir o toque de recolher. Entre 2015 e 2020, manteve relacionamento com Rogério Olberg, que terminou após descobrir uma conta secreta com mais de R$120 mil, dinheiro recebido após entrevista com Gugu Liberato.
Após o término, Suzane focou em religião e estudos, sem concluir nenhum curso. Em 2023, conheceu o médico Felipe Zecchini Muniz, com quem se casou, assumiu o nome Suzane Louise Magnani Muniz e teve o primeiro filho em 2024. O casal mora discretamente em Águas de Lindóia (SP), onde Felipe trabalha, e Suzane está matriculada em um curso de Direito.
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