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Cachorro cultuado como santo é proibido pela Igreja Católica

Canonizado pelo povo, o cão Guinefort teve culto proibido pela Igreja; recorde de fé popular contestada institucionalmente, com ritos de cura mantidos

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Por Revisado por: Time de Jornalismo Portal Tela
Ilustração do Santo Guinefort.
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  • O galgo Guinefort, cão de um nobre francês, teria salvado um bebê de uma cobra, mas foi morto pelo dono ao retornar; o corpo foi enterrado num poço próximo ao castelo, com árvores plantadas ao redor.
  • A história ganhou culto popular, com o povo glorificando o cão como santo protetor das crianças, em uma época em que a canonização pela Igreja era informal.
  • Foram usados ritos ligados a alterações de crianças chamadas de “changelings”; após a intervenção de Estêvão de Bourbon, o culto formal foi proibido e o ritual de destroca passou a ser desencorajado.
  • Mesmo assim, surgiu um ritual inofensivo de pedir cura para doenças infantis, wander pelo Bosque de São Guinefort, com galhos entrelaçados ao longo dos séculos.
  • Em mil oitocentos setenta e nove, o folclorista Vayssière confirmou a existência do bosque e a identificação geral de Guinefort como cachorro; o dia vinte e dois de agosto passou a ser celebrado como Dia de São Guinefort, e o Bosque permanece visitável.

Guinefort, um galgo medieval, tornou-se símbolo de devoção popular ao longo de séculos, apesar de não ter sido reconhecido pela Igreja. A história diz que ele protegeu um bebê de uma cobra, mas acabou morto pelo dono, um nobre francês de Châtillon-sur-Chalaronne, que suspeitou do animal.

Após a morte, o casal enterrou o cão em um poço próximo ao castelo e plantou árvores ao redor, formando um memorial. Com o passar do tempo, a lenda ganhou adesão popular e deu origem a um culto independente da autoridade religiosa.

Nessa época, a canonização por parte do povo era comum, ainda que a Igreja estivesse em fases iniciais de organização. Surgiram outros exemplos folclóricos de santos populares, sem validação institucional.

Ritos e desdobramentos

Entre as crenças medievais, havia a ideia de que fadas trocavam crianças por sósias malignas. Um ritual associava o cão e o Bosque de São Guinefort a uma prática de destroca de crianças, seguida de submersão no rio, prática que muitos não resistiam.

Estêvão de Bourbon, inquisidor da Igreja, descobriu a lenda e ordenou a exumação dos ossos do animal e a queima das árvores ao redor. Ainda assim, reconheceu a “nobre ação” de Guinefort e a injustiça de sua morte, proibindo o culto e o ritual da destroca.

Após a proibição, surgiu uma prática menos agressiva: galhos entrelaçados formaram um bosque que passou a ser usado como local de orações pela cura de doenças infantis. Esse costume persistiu por séculos e foi registrado por estudiosos.

Legado histórico

No fim do século XIX, o folclorista Vayssière percorreu a região e coletou relatos de que Guinefort era visto como cachorro santo. Ele encontrou milhares de galhos entrelaçados no bosque, corroborando a identidade do animal. Há relatos de que o nome Guinefort deriva de um gesto de abanão de cauda.

No final do século XX, o dia 22 de agosto passou a ser associado ao Dia de São Guinefort, ligando a comemoração a São Guinefort de Pavia, cujo festejo é nessa data. O Bosque de São Guinefort permanece acessível para visitação.

A história mostra como uma lenda pode perdurar mesmo sem imagens oficiais ou estátuas. As fontes disponíveis são principalmente relatos escritos, como os de Estêvão de Bourbon, que registraram a memória do caso.

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