Um bloqueio de gelo gigante interrompe a rota de subida ao Monte Everest a partir do Campo Base, no Nepal, justamente no início da temporada de escaladas no Himalaia.
A área afetada fica perto do Camp 1, cerca de 600 m abaixo, e envolve um serac de cerca de 30 m de altura. Os chamados “icefall doctors” não encontraram caminho alternativo até o momento e aguardam a redução do bloco de gelo para seguir.
A equipe de resgate e fixação de cordas trabalha para a Sagarmatha Pollution Control Committee (SPCC) e chegou ao Campo Base há três semanas. A abertura da rota costuma ocorrer até abril, mas o serac impede o avanço até o Camp 3.
Bloqueio complica a temporada
Purnima Shrestha, alpinista e fotógrafa nepalesa, está em aclimatação para um novo esforço no topo. Ela aponta que a demora pode gerar maior fluxo concentrado de tentativas no curto intervalo disponível.
Segundo a SPCC, a paralisação pode reduzir a janela de escalada deste ano, com muitos alpinistas tentando o pico em poucas semanas. A organização segue sem opções artificiais para derreter o bloco.
Dambar Parajuli, presidente da Expedition Operators’ Association, afirma que a atividade de montanhismo não foi tão afetada quanto o trekking, apesar de queda no turismo de voos causada pelo conflito regional.
Permissões, custos e demanda
Até agora, o Departamento de Turismo registra 367 permissões de escalada, em sua maioria para chineses. Organizações dizem que Pequim não emitiu permissões para estrangeiros este ano.
A maior parte das ascensões continua do lado nepales, em comparação com a rota via Tibete. Em 2023, mais de 700 pessoas subiram pela lateral nepalesa, enquanto poucas centenas subiram pela rota chinesa.
Os custos também subiram: a taxa de escalada na primavera passou a 15 mil dólares para estrangeiros, contra 11 mil no ano anterior, enquanto o imposto para nepaleses subiu para 1000 dólares.
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