O debate sobre o papel do colunista-torcedor ganhou destaque após a reflexão sobre o programa Mesa Redonda, da Gazeta. O texto sustenta que o estilo do antigo formato, marcado por paixão clubística, acabou gerando uma visão menos isenta do jornalismo esportivo. A trajetória de apresentadores como Roberto Avallone e Chico Lang é citada como exemplo de pioneirismo que, com o tempo, passou a simbolizar um tom menos independente.
Segundo a análise, a ascensão de formatos mais jornalísticos, com Cartão Verde, SporTV e ESPN, ajudou a deslocar o eixo de pauta do programa para outros padrões. Avallone faleceu em 2019 e Lang teve sua demissão anunciada pela Gazeta em 2026, após décadas de atuação. O texto aponta que esse movimento marca a transição entre um jornalismo mais teatral e o que se entende hoje como cobertura esportiva com maior foco informativo.
Mudanças no perfil do jornalista esportivo
A reportagem destaca a emergência do chamado colunista-torcedor, figura cuja torcida explícita é parte do conteúdo. O fenômeno aparece em canais independentes, TVs por assinatura, plataformas online e podcasts, ampliando o alcance de vozes com viés claro. A análise aponta que a precarização da profissão, com menos empregos formais, impulsionou profissionais a buscar alternativas de remuneração por meio de cliques e audiência.
A origem do formato de colunismo com tom ficcional remete aos anos 90, quando o Lance! lançou a linha “Fala, doente!”. Hoje, grandes portais passaram a ter áreas dedicadas a torcedores, com produção de conteúdos que atendem a nichos de torcidas. A linguagem, antes apenas bem-humorada, tem evoluído para formatos que estimulam debates acalorados nas redes sociais.
Efeitos na leitura jornalística
O texto sustenta que a prática de clubismo extremo pode afetar a qualidade informativa, gerando bate-bocas que dificultam a convivência entre torcedores e profissionais. Mesmo com exemplos de entretenimento no passado, a reportagem ressalta que a tendência atual pode prejudicar a credibilidade da cobertura esportiva. Avallone e Lang são citados como exemplos de profissionais que, embora polêmicos, tinham um tratamento mais humorístico do tema.
Entre na conversa da comunidade