Um grupo de cientistas de renome mundial enviou uma carta aberta à Fifa, afirmando que as medidas atuais de segurança contra calor para a Copa do Mundo masculina de 2026 são inadequadas e podem colocar jogadores em risco. Segundo eles, as diretrizes não acompanham as evidências científicas mais recentes.
Os signatários destacam que as regras em vigor não são compatíveis com o avanço do conhecimento técnico e com cenários de calor extremo que devem ocorrer na América do Norte. A carta ressalta a necessidade de revisão urgente para evitar danos à saúde dos atletas.
Além disso, os especialistas defendem mudanças rápidas, incluindo pausas de resfriamento mais longas e protocolos claros para adiar ou atrasar partidas em condições extremas. A ideia é tornar o torneio mais seguro sem prejuízo para o andamento das competições.
Medidas atuais e críticas
A Fifa mantém pausas obrigatórias de três minutos para resfriamento em cada tempo, em todas as partidas, além de bancos climatizados para equipes técnicas. A entidade utiliza o índice WBGT para avaliar o estresse térmico durante o torneio.
Para temperaturas elevadas, a Fifa afirma ter um modelo de mitigação do calor e suporte meteorológico ao longo da competição. O objetivo é orientar decisões em tempo real com base no WBGT e no calor previsto.
Especialistas acusam as diretrizes atuais de não refletirem o risco real em estádios ao ar livre na América do Norte, onde as temperaturas podem superar 30°C com alta umidade. A carta cita leituras de WBGT que podem elevar o estresse térmico a níveis perigosos para atletas de elite.
O que pedem os cientistas
Os 20 signatários pedem adoção imediata de medidas mais rigorosas, incluindo:
- Adiamento ou suspensão de partidas quando o WBGT ultrapassar 28°C;
- Pausas de resfriamento com duração mínima de seis minutos;
- Estruturas de resfriamento aprimoradas para jogadores;
- Atualizações frequentes das diretrizes com base em evidências recentes, alinhadas aos padrões do FIFPRO.
A carta também sugere que a FIFA adote padrões propostos pelo FIFPRO, o sindicato internacional de jogadores.
Contexto climático da Copa 2026
A aposta é que o calor e a umidade severa afetem partidas em EUA, Canadá e México durante o verão. Uma análise recente aponta que cerca de um quarto dos jogos pode ocorrer com WBGT superior a 26°C, e até cinco confrontos podem ultrapassar 28°C, condições associadas a riscos significativos para os atletas.
O estudo indica ainda que o risco de condições extremas quase dobrou desde a Copa de 1994, realizada na mesma região, aumentando a necessidade de medidas eficaz de proteção.
Resposta da Fifa
A Fifa não comentou diretamente a carta, mas informou que utilizará um “modelo escalonado de mitigação do calor” durante o torneio. A organização destaca monitoramento meteorológico central e regional, com decisões orientadas pelo WBGT.
A entidade afirma que o calendário leva em conta o clima, com horários de início ajustados e prioridade para estádios cobertos quando as condições são mais quentes. Também menciona ações para reduzir deslocamentos e ampliar dias de descanso conforme avaliação de risco.
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