O episódio ocorreu na Copa do Mundo de 1974, na Alemanha Ocidental, envolvendo o Zaire, atual República Democrática do Congo. Antes da partida contra o Brasil, os atletas foram ameaçados de morte pelo ditador Mobutu Sese Seko, que usava o futebol como ferramenta de propaganda.
Mobutu prometeu carros, casas e prêmios financeiros para motivar jogadores a se classificarem. Após a estreia, derrota por 2 a 0 para a Escócia; a equipe descobriu que os recursos prometidos haviam sido desviados por dirigentes do governo.
Contexto político e preparação
A derrota para a Iugoslávia, por 9 a 0, na segunda rodada, provocou revolta interna. Os jogadores ficaram desmotivados e a derrota histórica abriu espaço para pressão externa sobre a delegação.
Depois da goleada, Mobutu enviou comitiva de ministros e militares ao torneio. Ameaças severas partiram de guardas presidenciais caso o Zaire perdesse por quatro gols ou mais para o Brasil, com riscos de punições que incluíam prisão e risco à família.
O lance histórico
Na cobrança de uma falta próxima ao fim do primeiro tempo, o zagueiro Mwepu Ilunga saiu da linha e afastou a bola, desrespeitando as regras de barreira. Anos depois, Ilunga explicou que agiu para ganhar tempo e evitar novo golpe histórico contra a equipe.
Ilunga faleceu em 2015; em entrevista à BBC em 2010, ele revelou ter feito o gesto deliberadamente para proteger a equipe diante da pressão externa e dos interesses de quem assistia aos camarotes.
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