O estilo de jogo que consolidou o Barcelona e a seleção espanhola como referências mundiais tem uma raiz brasileira. A afirmação é feita por Joan Vilà, figura-chave na construção da metodologia da La Masia e ex-jogador do clube.
Vilà atuou como diretor de metodologia e participou da criação do modelo conhecido como estilo Barça, apontado como base para gerações de jogadores como Xavi, Iniesta, Busquets e Guardiola. O modelo influenciou a Espanha campeã europeia em 2008, e mundial em 2010.
A conversa, publicada pelo UOL, faz parte da segunda edição da série Fábrica de Talentos, que mostra como grandes seleções descobrem e desenvolvem talentos. Vilà descreve a transição de ideias que moldaram o futebol moderno.
Origens brasileiras
A ideia central, segundo Vilà, começou com a frase repetida por Johan Cruyff: ter a bola para jogar e desfrutar. Se há posse, o jogo existe; sem ela, é preciso recuperá-la com rapidez. A visão contraria a defesa passiva e prioriza a recuperação adiantada.
O ex-jogador explica que o foco não é trocar passes por trocar passes, mas desorganizar o adversário para atacar no momento certo. O jogo de posição, o rondo e outras propostas nasceram desse conceito de criar jogadas criativas.
Para Vilà, futebol é comunicação: o time oferece apoio para progressão, manutenção da posse e ajuda em situações de pressão. A ideia é que o jogador entenda a melhor assistência em cada momento.
Impacto no Barcelona e na Espanha
A influência brasileira aparece também pela presença de jogadores inspirados no meio-campo, considerado o centro do jogo. Cruyff valorizou o papel dos volantes e a saída de bola from zaga, elevando a importância do meio-campo na construção.
Essa visão ajudou a formar o núcleo de jogadores como Guardiola, Xavi, Iniesta e Busquets no Barcelona, estruturando uma identidade de posse e organização. Quando muitos jogadores da casa chegaram à seleção, o legado ganhou continuidade.
A partir de 2008, a Espanha consolidou o estilo com base nessa herança. O técnico Luis Aragonés ampliou a confiança dos atletas nesse modelo, que já era fruto de anos de treinamento e cultura de jogo coletivo. A influência permaneceu clara ao longo da década.
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