A seleção austríaca conhecida como Wunderteam, celebrada por sua tática ofensiva, viveu seu auge entre 1931 e 1934, sob o comando de Hugo Meisl. O time ficou invicto por 14 partidas e venceu a Copa Internacional da Europa Central, precursor da Eurocopa.
Na linha de frente, Matthias Sindelar destacou-se como o principal craque, famoso pelo estilo de jogo inteligente e pela posição de falso 9, recuando ao meio-campo para armar jogadas. Sua técnica ficou marcada na história do futebol europeu.
Antes de 1938, a Áustria consolidou-se como uma das favoritas da Copa do Mundo de 1934, mas foi eliminada pela Itália na semifinal. A equipe manteve o estilo ofensivo que a definiu na década de 1930.
A anexação e o impacto político
Em março de 1938, a Áustria foi anexada pela Alemanha nazista, num movimento que abriu caminho para a integração de atletas austríacos à seleção alemã. Em abril daquele ano, houve um suposto “jogo de reconciliação” com a seleção alemã, com a exigência de empate zero a zero para demonstrar união dos países.
Jogadores austríacos não aceitaram a proposta de usar a camisa nazista, e a partida terminou com vitória alemã por 2 a 0. Dizem que Sindelar abriu o placar e fez gesto de provocação diante das autoridades presentes.
Sindelar foi convidado a jogar pela seleção alemã, mas recusou. Em janeiro de 1939, ele foi encontrado morto em Viena, em circunstâncias que apontam para asperas questões políticas da época.
Walter Nausch, outro nome do Wunderteam, rejeitou o regime abertamente e acabou exilado na Suíça para proteger sua família. Retornou à Áustria em 1948 e tornou-se treinador da seleção nacional.
Consequências para o elenco
Após a anexação, muitos jogadores do Wunderteam passaram a figurar em convocações da Alemanha. A participação da Alemanha na Copa do Mundo de 1938 contou com atletas que já haviam defendido a Áustria.
O desempenho no torneio de 1938 ficou aquém do esperado, com desclassificação na fase de grupos. Os relatos divergem sobre o alinhamento político dos jogadores austríacos que atuaram pela Alemanha.
Entre as ligações históricas, o zagueiro Karl Sesta marcou o segundo gol na partida de reconciliação, o que foi interpretado por alguns como desafio ao regime. Fotografias da época mostram outros austríacos empregados a serviço do Estado nazista.
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