A partir da temporada 2026/27, os clubes da Premier League não poderão exibir marcas de casas de apostas na parte da frente das camisas utilizadas nas partidas. A restrição vale para o espaço comercial mais valioso do uniforme, conhecido no Brasil como patrocínio master. A medida, porém, não representa uma proibição completa das bets no […]
A partir da temporada 2026/27, os clubes da Premier League não poderão exibir marcas de casas de apostas na parte da frente das camisas utilizadas nas partidas. A restrição vale para o espaço comercial mais valioso do uniforme, conhecido no Brasil como patrocínio master.
A medida, porém, não representa uma proibição completa das bets no futebol inglês. As empresas do setor ainda poderão aparecer nas mangas, nos uniformes de treino, nas placas dos estádios e em outras ações comerciais, desde que respeitem as normas de publicidade vigentes no país.
Quando a regra foi criada?
Anunciada em 13 de abril de 2023, a mudança foi aprovada coletivamente pelos clubes da Premier League. A decisão surgiu após consultas entre a competição, suas equipes e o Departamento de Cultura, Mídia e Esporte do governo britânico, durante a revisão das regras de apostas do país.
Mesmo aprovada em 2023, a proibição só entra em vigor após o término da temporada 2025/26. Segundo a Premier League, o intervalo foi estabelecido para facilitar a transição dos clubes para novos patrocinadores.
O mais legal é que trata-se de uma decisão voluntária da liga, e não de uma lei válida para todas as divisões do futebol inglês. Foi uma iniciativa própria tirar as casas de apostas da frente das camisas.
Por que as bets foram retiradas?
A principal justificativa é diminuir a presença da publicidade de apostas no futebol e reduzir a exposição de crianças e pessoas vulneráveis a essas marcas.
Publicado em abril de 2023, o relatório oficial “High stakes: gambling reform for the digital age” analisa os danos relacionados ao jogo e defende medidas mais rígidas de proteção. Entre os pontos abordados está a exposição involuntária de menores às marcas de apostas durante transmissões esportivas e em produtos ligados ao futebol.
Já em 2024, Premier League, Federação Inglesa, English Football League e futebol feminino profissional adotaram um código de conduta para os contratos com empresas de apostas. O documento determina que os acordos ainda permitidos protejam menores de idade e pessoas vulneráveis, promovam o jogo responsável e não comprometam a integridade das competições.
Qual será o impacto para os clubes?
O principal desafio será encontrar empresas dispostas a pagar valores semelhantes aos oferecidos pelas casas de apostas. Segundo o The Guardian, a perda conjunta dos clubes pode chegar a 80 milhões de libras por temporada, aproximadamente R$542 milhões.
O impacto deve ser maior entre as equipes de menor alcance comercial. Os clubes do chamado Big Six — Arsenal, Chelsea, Liverpool, Manchester City, Manchester United e Tottenham — têm maior exposição internacional e, por isso, conseguem atrair empresas de diferentes setores com mais facilidade.
Para os demais times, o cenário é mais complicado. De acordo com o dirigente citado pelo jornal, propostas de patrocínio para clubes com menor expressão teriam caído cerca de 50%. Acordos que antes rendiam entre 8 milhões e 12 milhões de libras por ano estariam sendo substituídos por ofertas menores.
Como alternativa, as equipes poderão buscar novos patrocinadores para a frente das camisas ou transferir suas parcerias com bets para espaços que continuam permitidos, como as mangas e as placas publicitárias dos estádios.
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